A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) divulgou nesta segunda-feira, 26 de outubro, o Relatório de Monitoramento da Competição referente ao terceiro trimestre de 2026. Elaborado pela Superintendência de Competição (SCP), o documento reúne o diagnóstico dos mercados de varejo e de atacado de telecomunicações no país.
Segundo a agência, o estudo confirma que as metas estratégicas de desconcentração foram atingidas em nível nacional. O relatório também identifica assimetrias competitivas em âmbito infranacional, isto é, diferenças regionais na dinâmica de concorrência, e registra a migração da disputa entre empresas para os ecossistemas digitais.
No varejo, a telefonia móvel encerrou o trimestre com 280,5 milhões de acessos. O crescimento foi impulsionado pela expansão do 5G, que atingiu 69,8 milhões de conexões, o equivalente a 24,9% da base total, e pela migração contínua de usuários de planos pré-pagos para pós-pagos.
O avanço da cobertura móvel também passa pela entrada de novos atores no mercado. No leilão da faixa de 700 MHz realizado neste ano, os lotes foram distribuídos entre Amazônia Serviços Digitais e Telecomunicações, com o lote A1; Brisanet, com os lotes A2 e A3; Unifique, com o lote A4; e iez! Telecom, com o lote A5. A faixa, liberada após a digitalização da TV, é considerada estratégica para fortalecer o 4G e ampliar o alcance do 5G, e o certame priorizou investimentos obrigatórios em infraestrutura em regiões com falhas de cobertura, em vez de arrecadação, conforme detalhado na publicação do edital.
A banda larga fixa somou 57,9 milhões de assinaturas no período. A fibra óptica manteve a liderança, com 46,92 milhões de acessos, o que representa cerca de 81% do total. O relatório destaca ainda a consolidação dos provedores regionais nesse segmento, tendência registrada em levantamentos sobre a velocidade da internet no país, nos quais operadoras regionais lideraram em 12 estados.
Outro destaque é a banda larga por satélite de baixa órbita, que alcançou 1,1 milhão de acessos. O segmento tende a ganhar novos competidores: a chinesa Spacesail, por exemplo, recebeu da Anatel prazo de dois anos para iniciar operações no Brasil.
No atacado, os produtos de Interconexão Móvel e Fixa lideraram tanto o número de transações quanto o de ativações registradas no Sistema de Negociação de Ofertas de Atacado (SNOA), plataforma utilizada pelas prestadoras para negociar insumos de rede.
O relatório inclui ainda o processo de Escuta de Mercado, que monitora os temas de maior repercussão no setor. De acordo com a Anatel, as fronteiras de inovação estão concentradas em tecnologias emergentes. A Inteligência Artificial liderou o volume de notícias no terceiro trimestre consecutivo, impulsionada pelos investimentos globais em tecnologia e pela adoção de IA generativa pelas operadoras no atendimento ao cliente.
O segmento de CDNs e data centers estreou na segunda colocação do ranking. O tema tem ganhado espaço na pauta regulatória: a própria agência discutiu a atratividade do Brasil para data centers em seminário internacional e, em fevereiro, suspendeu a exigibilidade da certificação obrigatória de data centers prevista na Resolução nº 780/2025, após pressão de associações do setor. Entre os elementos que motivaram o reexame estava a criação do Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (ReData), posteriormente sancionado pelo presidente Lula.
O Relatório de Monitoramento da Competição é publicado trimestralmente pela Anatel há três anos. Todas as edições estão disponíveis na página de documentos de análise do ambiente competitivo do setor de telecomunicações.
Comentários