A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) e o CPQD estão elaborando o Diagnóstico Setorial de Data Centers no Brasil, estudo que pretende mapear desafios, oportunidades e prioridades do segmento e reunir evidências para subsidiar políticas públicas, estratégias de atração de investimentos, planejamento territorial e ações voltadas à infraestrutura digital do país. O levantamento é uma das frentes do Projeto ECOS – Data Centers Sustentáveis, lançado em março pelas duas instituições.
Com duração de 24 meses, o ECOS atua em duas dimensões complementares. A primeira é a produção de inteligência setorial, por meio do diagnóstico. A segunda é uma jornada de inovação aplicada que busca conectar os desafios reais dos operadores a soluções tecnológicas validadas em ambientes operacionais.
Oito dimensões de análise
De acordo com as instituições, o diagnóstico busca consolidar uma visão integrada e territorializada do setor. A metodologia combina levantamento de dados nacionais e internacionais, entrevistas com atores estratégicos, consultas estruturadas ao ecossistema, workshops temáticos e análises técnicas e territoriais.
O estudo está organizado em oito dimensões: panorama nacional e internacional; diagnóstico territorial; cadeia produtiva e adensamento industrial; energia, sustentabilidade e infraestrutura; regulação e tributação; capital humano e ecossistema de inovação; soberania digital; e impactos, cenários e recomendações estratégicas. A frente regulatória dialoga com o debate em curso sobre o ReData e a Política Nacional de Data Centers.
Como parte desse processo, o Projeto ECOS realizou, em setembro, em Campinas (SP), durante a Campinas Innovation Week, um workshop estratégico com atores do ecossistema de inovação e de infraestrutura digital, voltado a levantar percepções sobre os fatores que condicionam o desenvolvimento do setor no país. As contribuições serão integradas às entrevistas técnicas, aos levantamentos de mercado e às demais atividades previstas.
Entre os resultados esperados estão a Matriz de Atratividade Territorial, avaliações de impactos econômicos, sociais, ambientais e tecnológicos, cenários prospectivos para o período de 2026 a 2035 e um roadmap estratégico para o setor. Segundo a ABDI e o CPQD, esses instrumentos deverão apoiar decisões públicas e privadas relacionadas a investimentos, infraestrutura, desenvolvimento regional, sustentabilidade, competitividade e capacidades nacionais.
Território, energia e soberania
O projeto analisa a infraestrutura de data centers como parte de uma agenda mais ampla de desenvolvimento industrial e de transformação digital. A abordagem considera as condições técnicas e econômicas para novos investimentos e seus efeitos sobre desenvolvimento regional, geração de empregos qualificados, fornecedores nacionais, capacidade tecnológica, segurança da infraestrutura digital e soberania.
A análise territorial deverá identificar as regiões com maior prontidão para receber aportes e as localidades que dependem de investimentos estruturantes em energia, transmissão, conectividade, recursos hídricos, qualificação profissional e licenciamento, entre outros fatores de competitividade. A proposta é gerar subsídios para decisões que conciliem atração de capital, sustentabilidade, resiliência e adensamento produtivo.
Olavo Noleto, presidente da ABDI, afirma que o setor de data centers ocupa uma posição estratégica na agenda de desenvolvimento produtivo e tecnológico do país. Segundo ele, a missão da agência é contribuir para a transformação da indústria brasileira, fortalecer as capacidades nacionais e apoiar a construção de uma economia mais inovadora, competitiva e sustentável.
O executivo acrescenta que, com o ECOS, a ABDI busca gerar inteligência, fortalecer a cadeia produtiva nacional e criar condições para que o crescimento do setor se traduza em desenvolvimento industrial, inovação e soberania para o Brasil.
Pilotos em ambiente real
Paralelamente ao diagnóstico, o ECOS prevê uma jornada de inovação aberta que conecta empresas de data centers, startups e ambientes de validação. Os desafios tecnológicos serão definidos com base nas necessidades reais do setor e orientarão a seleção, o amadurecimento e a validação de soluções em condições operacionais. Conforme anunciado no lançamento do projeto, a iniciativa conta com investimento de cerca de R$ 3 milhões, dos quais metade é destinada a até seis startups.
Entre as tecnologias que poderão ser aplicadas nessa fase estão inteligência artificial, sistemas de armazenamento de energia (BESS), monitoramento e automação, além de soluções voltadas à eficiência energética, gestão térmica, redução do consumo de água, integração de fontes renováveis, confiabilidade e descarbonização. Os pilotos deverão gerar evidências técnicas e operacionais sobre desempenho, confiabilidade e sustentabilidade das soluções.
Sebastião Sahão Junior, presidente do CPQD, afirma que a jornada busca desenvolver modelos e soluções nacionais para o setor, alinhando o avanço tecnológico às metas ESG. Na avaliação do executivo, a iniciativa pode posicionar o Brasil como referência na próxima geração de data centers sustentáveis e inteligentes.
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