O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável por coordenar e controlar a operação da geração e da transmissão no Sistema Interligado Nacional (SIN), concedeu 228 MW de capacidade da rede a três projetos de data centers no Brasil, informa o site w.media. A alocação faz parte da 1ª Temporada de Acesso de 2026 da Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST).
Segundo comunicado do ONS, a capacidade foi distribuída por meio de um processo competitivo previsto na PNAST. O objetivo era alocar a capacidade remanescente da rede em quatro pontos de conexão no estado de São Paulo. Sete projetos participaram da disputa e somaram 451 MW de demanda habilitada. Na terça-feira (6), os 228 MW disponíveis foram integralmente atribuídos às empresas Pahlavan One, Pahlavan Three e Digital DC Brasil.
A Pahlavan One e Pahlavan Three integram o campus GRU da CloudHQ, em Paulínia (SP). As fases um e dois do empreendimento preveem três data centers de 48 MW cada, todos alimentados por uma subestação instalada no próprio terreno. Como a DCD já noticiou, o campus paulista recebeu uma subestação de alta tensão de 250 MW. A companhia norte-americana também desenvolve o Campus GIG, na região metropolitana do Rio de Janeiro.
A Digital DC Brasil é uma empresa local de data centers que opera sob a NextStream, plataforma latino-americana criada pela gestora de investimentos Actis. A capacidade obtida será utilizada para a expansão do campus da NextStream em Tamboré, em Santana de Parnaíba (SP). A empresa anunciou anteriormente o plano de dobrar a capacidade do site, de 8 MW para 16 MW, ao longo de três anos.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que a política foi concebida para superar a lógica da espera e construir uma política de Estado baseada em planejamento, critérios técnicos e processos competitivos. Segundo ele, a PNAST oferece mais previsibilidade aos agentes, torna os investimentos mais eficientes e garante que a expansão da transmissão acompanhe as necessidades de desenvolvimento do país.
O diretor-geral do ONS, Marcio Rea, avaliou que o primeiro ciclo terminou com resultados que comprovam o funcionamento do novo modelo de acesso à transmissão. Ele citou os grandes volumes de capacidade analisados e viabilizados, bem como a realização bem-sucedida do primeiro Processo Competitivo da PNAST. Para Rea, esse resultado consolida um ambiente mais previsível, transparente e eficiente para investidores, consumidores e para o planejamento da expansão do sistema elétrico brasileiro.
A 1ª Temporada de Acesso registrou 367 projetos que solicitaram mais de 20 GW em conexões distribuídas em 64 barramentos de subestações em todo o SIN. Somada à fase de transição anterior à temporada, a avaliação do ONS atingiu mais de 43 GW em pedidos. Desse total, cerca de 30,7 GW foram classificados como viáveis ou habilitados. Nessa fase transitória, o operador havia autorizado 43 pedidos de acesso à Rede Básica, a maioria deles provenientes de data centers.
O diretor de TI, Relacionamento com Agentes e Assuntos Regulatórios do ONS, Maurício de Souza, avaliou que a forte participação dos agentes e o êxito do primeiro processo competitivo mostram que o setor está preparado para o novo modelo. Ele acrescentou que as lições deste ciclo orientarão os aprimoramentos previstos para as próximas edições da política.
A partir de 2027, o ONS realizará duas Temporadas de Acesso por ano. A primeira delas começará em dezembro de 2026, com a publicação das instruções de cadastramento e da nota técnica sobre a metodologia, as premissas e os critérios. As inscrições serão abertas em janeiro de 2027, e o processo competitivo está previsto para maio do mesmo ano.
A disputa por conexão à Rede Básica tem marcado o mercado paulista de data centers ao longo de 2026. Em junho, o ONS revisou seu parecer e manteve a reserva de energia para um projeto da Scala Data Centers. Já a Twenty Four Seven Data Centers pediu à Aneel autorização para ligar seu data center na capital paulista à Rede Básica.
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