A Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST) registrou seus primeiros resultados concretos, informa o site Cenário Energia. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) confirmou a validação de 43 solicitações de acesso à Rede Básica, apresentadas por consumidores por meio do Sistema de Gerenciamento de Acesso (SGAcesso), conforme o Artigo 12 do Decreto nº 12.772/2025. A maior parte dos pedidos está ligada a projetos de data centers e soma mais de 7,3 GW de demanda potencial ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

A etapa representa o primeiro teste operacional relevante da nova política, criada para organizar e conferir previsibilidade à conexão de grandes cargas ao sistema de transmissão em um cenário de eletrificação crescente, expansão da economia digital e avanço de projetos industriais de alto consumo energético.

Encerrado o prazo de 45 dias previsto no decreto, 39 dos 94 processos que tramitavam no Ministério de Minas e Energia foram formalizados no ONS, com a apresentação de Garantia Financeira para Solicitação de Acesso (GPA). Esses protocolos resultaram em 43 pedidos após a divisão de três processos originais em sete solicitações distintas.

Apenas cerca de 41% dos projetos inicialmente identificados atenderam às exigências regulatórias e financeiras necessárias para ingressar na fila de acesso à Rede Básica, o que indica um primeiro filtro efetivo imposto pelo novo modelo.

O levantamento mostra uma forte predominância de projetos de data centers. Dos 43 acessos formalizados, 38 correspondem a esse tipo de empreendimento, totalizando aproximadamente 7.040 MW de carga solicitada. Os demais 258,6 MW estão distribuídos entre cinco projetos relacionados a hidrogênio verde, atividades industriais e mineração.

A concentração de data centers acompanha uma tendência internacional de instalação de grandes estruturas digitais em regiões com oferta energética robusta, matriz energética mais limpa e ambiente regulatório estável. No Brasil, fatores como a expansão das redes, o avanço da geração renovável e preços competitivos de energia têm reforçado a atratividade do país para esses investimentos.

A distribuição regional das solicitações segue o padrão histórico do setor elétrico. O Sudeste lidera, com destaque para São Paulo, que reúne 20 pedidos de acesso a datacenters, totalizando 3.914 MW de potência requerida.