A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) identificou uma sobrecarga no planejamento do setor elétrico brasileiro provocada pela duplicidade de pedidos de conexão, especialmente os relacionados a data centers, informa o site Energia Limpa. Segundo o presidente da EPE, Thiago Prado, diferenças regulatórias entre as redes de distribuição e de transmissão têm levado empreendedores a buscar vantagens ao optarem pela distribuição, via que não exige o aporte de garantias financeiras, ao contrário do que determina a Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST) para a rede de transmissão.
Durante o evento TechGrid 2026, promovido pela Axia, Prado afirmou que a ausência de exigência de garantias torna mais vantajoso, para os empreendedores, solicitar acesso pela distribuidora, mesmo em casos de grandes volumes de carga.
Em janeiro, a EPE enviou ofício à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e ao Ministério de Minas e Energia (MME) solicitando a harmonização dos requisitos de conexão entre a Rede Básica, as Demais Instalações de Transmissão (DIT) e os sistemas de distribuição. A medida busca endereçar o crescente volume de pedidos, não apenas de data centers, mas também de projetos de hidrogênio verde.
Dados da EPE para o estado de São Paulo, referentes a dezembro de 2025, mostram 1.811 MW em pedidos na rede básica, 1.025 MW nas DIT e 3.980 MW na rede de distribuição. Juntas, DIT e distribuição respondem por cerca de 80% das solicitações de acesso no estado.
Segundo a EPE, essa dinâmica pressiona as distribuidoras a ampliar suas solicitações de Montante de Uso do Sistema de Transmissão (Must), antecipando problemas que, em condições normais de planejamento, só seriam esperados em um horizonte de dez anos ou mais.
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