A AIKS, spin-off da distribuidora FonNet, iniciou suas operações no início de outubro, com foco em soluções de inteligência artificial e serviços gerenciados para data centers e redes de serviços digitais. A nova empresa aproveita a presença da FonNet entre os provedores de internet e no segmento de TI corporativa, mercados em que a distribuidora atua há 18 anos, com soluções de infraestrutura e conectividade.

Segundo a empresa, a criação da AIKS responde a uma demanda por tecnologia e serviços profissionais voltados à aplicação de IA na gestão de ambientes multivendor e multidomínio. A principal aposta para a largada da operação é o Neeuron, plataforma de observabilidade dimensionada com base em casos de uso dos segmentos atendidos.

A AIKS avalia que o mercado vive um momento de pós-boom da IA, em que as operações passaram a lidar com mais dispositivos, sistemas e dados, sem uma orquestração adequada a essa complexidade. Alertas, registros e informações de desempenho estão distribuídos entre ferramentas, fabricantes e equipes distintas. Na leitura da empresa, o desafio deixou de ser apenas coletar informações e passou a ser transformá-las em contexto para definir, sob a perspectiva do negócio, o que exige atenção prioritária.

O Neeuron foi projetado para funcionar como uma camada de inteligência sobre a infraestrutura existente. A plataforma consolida métricas, logs, alertas e dados de telemetria e aplica análises estatísticas ao histórico e aos padrões de comportamento, permitindo correlacionar eventos que normalmente seriam avaliados isoladamente.

Em um mercado que reúne ferramentas de monitoramento, observabilidade de rede, AIOps e assurance, a AIKS busca se diferenciar com modelos pré-estruturados e configuráveis que reduzem o esforço de construir coletores, painéis, regras e visões operacionais desde o início. A solução pode ser implantada em paralelo às ferramentas já utilizadas pelo cliente, inclusive em modelo white label, ou combinada com os serviços de consultoria, NOC e operação gerenciada do portfólio da empresa.

De acordo com Arthur Filgueira, CEO da AIKS, o crescimento da infraestrutura eleva a complexidade operacional a um ritmo mais rápido do que o das equipes. O executivo afirma que a proposta da empresa é equilibrar essa equação e reduzir as atividades repetitivas de análise, liberando os especialistas para decisões estratégicas, em vez da investigarem manualmente eventos.

Em redes de provedores de internet, um enlace pode permanecer operacional mesmo apresentando sinais progressivos de degradação na transmissão óptica. Ao relacionar o histórico do enlace com alertas e métricas da operação, a plataforma busca contextualizar a evolução do problema, permitindo que a equipe avalie uma intervenção antes que a situação se torne crítica. Segundo a AIKS, a ferramenta não elimina a possibilidade de falhas, mas amplia as condições para identificar tendências e agir de forma antecipada quando houver evidências suficientes.

Nos data centers, a lógica é a mesma. A observabilidade conecta informações de TI, rede, energia, climatização, armazenamento e segurança. Uma variação térmica, uma oscilação elétrica e um alerta de comportamento anômalo em um storage, por exemplo, podem fazer parte da mesma cadeia de impacto. Ao reunir essas relações em uma visão integrada, o Neeuron ajuda as equipes a reduzir a fragmentação da análise e a concentrar esforços nos eventos mais relevantes para a continuidade da operação.

O movimento acompanha uma tendência de uso de IA na operação de redes e de infraestrutura digital no país, em meio à pressão exercida pela expansão dos data centers e das cargas de IA sobre a conectividade óptica.