Santiago continua a consolidar-se como um dos principais mercados de infraestruturas digitais da América Latina. A cidade registra atualmente a menor taxa de vacância de data centers da região, indicador que evidencia o ritmo intenso de absorção de capacidade por parte de empresas tecnológicas, fornecedores de serviços na nuvem e operadores de serviços digitais.

O dado, publicado pela CBRE no relatório "Latin America Data Center Trends H1 2026" e divulgado pelo jornal La Tercera, confirma que a procura de capacidade continua a crescer a um ritmo superior ao da incorporação de nova oferta, impulsionada pela expansão da inteligência artificial, da nuvem e da digitalização empresarial.

A escassa disponibilidade de espaço posiciona Santiago como um dos mercados mais dinâmicos da América Latina e antecipa uma nova fase de investimento em complexos de data centers e infraestruturas associadas.

Um mercado impulsionado pela nuvem e pela IA

A redução da taxa de desocupação deve-se ao elevado nível de contratação registrado nos últimos meses. Grandes fornecedores de serviços na nuvem, empresas de serviços digitais e organizações que necessitam de infraestruturas de alto desempenho continuam a absorver capacidade em um mercado que já operava com níveis de ocupação muito elevados.

O fenômeno não é exclusivo do Chile, mas é especialmente acentuado em Santiago, onde a combinação de conectividade internacional, estabilidade regulatória e disponibilidade de energia renovável transformou a cidade em um dos principais destinos de investimento em infraestrutura digital na América do Sul.

Segundo a CBRE, a elevada ocupação está intimamente ligada ao crescimento das cargas de trabalho associadas à inteligência artificial, aos serviços na nuvem e às aplicações empresariais de alta disponibilidade, que exigem instalações com maiores densidades de potência e elevados padrões de resiliência.

A nova oferta já está em desenvolvimento

A reduzida margem de capacidade disponível acelera a construção de novos projetos. Vários operadores têm ampliações em curso ou novas instalações em desenvolvimento para responder a uma procura que continua a crescer.

No entanto, o relatório alerta que o verdadeiro desafio já não consiste apenas em construir mais data centers, mas sim em garantir o acesso a recursos estratégicos como energia, terrenos industriais e conectividade de alta capacidade.

Nesse contexto, os investimentos em novas subestações elétricas, redes de transmissão e fibra óptica assumem um papel cada vez mais relevante para sustentar o crescimento do mercado chileno.

O Chile mantém sua atratividade como centro regional

A evolução de Santiago confirma a posição do Chile como um dos principais polos de infraestruturas digitais da América Latina. Além de concentrar uma elevada presença de operadores de colocation e hiperescala, o país continua a atrair investimentos graças a fatores como a disponibilidade de energias renováveis, sua rede internacional de cabos submarinos e um ecossistema tecnológico cada vez mais consolidado.

Para o setor, a baixa taxa de desocupação representa um sinal positivo da solidez do mercado, embora também evidencie a necessidade de acelerar o desenvolvimento de nova capacidade para evitar restrições ao crescimento futuro.

*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria