O Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (ReData) foi sancionado em setembro pela Lei 15.504/2026. Além de estimular o mercado de infraestrutura digital, o regime pode impulsionar uma cadeia de fornecedores especializados em empreendimentos de alta complexidade. Os benefícios tributários se aplicam a equipamentos e componentes destinados a centros de processamento de dados habilitados pelo programa.
Um data center exige mais do que apenas servidores e equipamentos de tecnologia. Também depende de sistemas elétricos e de climatização, de infraestrutura física e de soluções específicas de segurança e de proteção contra incêndio. Empresas brasileiras já desenvolvem tecnologia para esses segmentos de missão crítica.
Uma delas é a Portex, especializada em portas corta-fogo e em engenharia sob medida. A empresa mantém uma frente dedicada a data centers, com projetos customizados para ambientes que exigem alto nível de proteção, controle de acesso e conformidade técnica. Em um dos projetos no Brasil, a Portex forneceu a solução completa de portas para um data center com mais de 40 mil metros quadrados, conforme as especificações internacionais. As soluções foram certificadas pelas normas internacionais UL 10C e NFPA 80 e pelas normas brasileiras ABNT NBR 11742 e NBR 11785.
Segundo Abner Garcia, diretor da Portex, cada componente de um data center precisa atender a requisitos muito específicos de segurança, desempenho e integração. Ele afirma que o país já tem empresas e engenharia capazes de atender a esse nível de exigência. Para o executivo, a expansão do setor pode fortalecer os fornecedores nacionais preparados para participar desses projetos.
Nos data centers, as portas fazem parte da estratégia de proteção passiva contra incêndio. Por isso, precisam ser especificadas de acordo com as características de cada ambiente. Conforme o projeto, os requisitos podem incluir:
- resistência ao fogo e vedação à fumaça;
- segurança patrimonial, controle de acesso e automação;
- dimensões especiais e passagem para movimentação de equipamentos.
Em projetos especiais, a Portex também combina proteção contra incêndio e blindagem, o que adiciona uma camada extra de segurança.
Abner Garcia explica que o desafio vai além de apenas fornecer uma porta. Segundo ele, é preciso entender como o componente se integra ao projeto e aos sistemas de segurança de cada operação, já que os data centers têm características muito particulares. O diretor avalia que ter essa capacidade no Brasil ajuda a cadeia nacional a acompanhar a sofisticação dos novos empreendimentos.
Entre as contrapartidas, as empresas beneficiadas pelo ReData deverão disponibilizar ao mercado nacional, no mínimo, 10% da capacidade de processamento, armazenamento e tratamento de dados. Os efeitos do programa devem alcançar, direta e indiretamente, outros elos da cadeia. Um deles é a construção civil, responsável pelas edificações. Outro é o setor de gás natural, que busca ser reconhecido como fonte elegível para o suprimento de energia. A implementação do regime, porém, ainda depende de uma definição sobre as fontes de energia que poderão atender aos data centers, sobretudo quanto ao gás natural.
O impacto do ReData sobre fornecedores e operadores também esteve em debate no painel "Quem ganha (e quem fica para trás) na nova era ReData?", durante o DCD>Connect São Paulo.
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