A Claro Empresas anunciou, durante a Febraban Tech, que instalará 256 GPUs em seu data center em São Paulo no início de 2027, oferecendo capacidade de processamento fracionada e com previsão de redução de até 50% nos custos de projetos de IA, de acordo com o site Tele.Síntese.

Segundo Mário Rachid, diretor-executivo de Soluções Digitais da Claro Empresas, os equipamentos já foram adquiridos, mas permanecem fora do país por questões de custo. A transferência para o Brasil ocorrerá após adaptações nos sistemas de energia e de refrigeração do data center, motivadas por demandas de soberania e de proteção de dados. A empresa também amplia a capacidade elétrica da instalação e promete modernizar a refrigeração de forma modular.

A iniciativa conta com parcerias da Nvidia e da Oracle, e a operadora afirmou que está negociando volumes adicionais de GPUs para acompanhar a demanda. Pelo novo modelo, empresas poderão contratar apenas uma fração da capacidade de uma GPU, sem precisar comprar ou reservar uma unidade inteira, com preços que variam conforme o volume e o tempo de uso. Raquel Possamai, diretora-executiva da Claro Empresas para o mercado financeiro, destacou que o modelo permite uma economia de até 50% nos custos de aquisição.

A companhia informou que um painel de acompanhamento permitirá monitorar consumo, definir limites financeiros e receber alertas de orçamento, com cobrança em reais para reduzir a exposição cambial dos clientes. O serviço, lançado comercialmente em junho, já teria usuários, cujos nomes não foram divulgados, e a Claro afirmou manter um pipeline com poucas dezenas de oportunidades, entre pequenas empresas e grandes organizações.

De acordo com a empresa, quando as GPUs estiverem instaladas em São Paulo, o processamento poderá ocorrer integralmente em território nacional, atendendo principalmente instituições financeiras, órgãos públicos e outros setores regulados. Maria Teresa Lima, diretora-executiva da Claro Empresas para Governo, afirmou que a soberania e a governança de dados são consideradas críticas em setores como o financeiro, que são sujeitos à LGPD e às normas do Banco Central. A operadora disse ainda ter recebido propostas de estados e municípios interessados em desenvolver modelos próprios com suporte técnico da Claro e da Nvidia.

Rachid afirmou que a estratégia da empresa não se limita à venda de processamento, mas também inclui a comercialização de modelos e serviços desenvolvidos a partir de experiências internas. A Claro apresentou o Claro STT, uma ferramenta de transcrição de voz oferecida via API, inicialmente desenvolvida para as operações de atendimento da companhia. Segundo a empresa, o piloto interno permitiu transcrever 100% das chamadas diárias, em comparação com uma amostragem manual de 5% a 10%, e resultou em um aumento de 10% na conversão de vendas.