Os provedores brasileiros de infraestrutura e serviços de nuvem esperam crescimento médio de 32% no faturamento em 2026, sete pontos percentuais abaixo da estimativa registrada no levantamento anterior. Os dados são da Associação Brasileira de Provedores de Infraestrutura e Serviços Cloud (AbraCloud), que atribui a revisão, entre outros fatores, às mudanças nas políticas de licenciamento da VMware após a aquisição pela Broadcom e ao encarecimento de componentes como memórias e servidores de alto desempenho.
A pesquisa da entidade indica que, no início de 2026, os provedores de nuvem realizaram uma transição acelerada para tecnologias de virtualização de código aberto baseadas em KVM (Linux Kernel Virtual Machine) e, a partir da metade do ano, enfrentaram escassez de oferta e aumento expressivo nos custos de componentes críticos.
A combinação desses fatores afeta particularmente as empresas que comercializam capacidade computacional. Os provedores operam com contratos de longo prazo e, por isso, não conseguem repassar imediatamente aos clientes um reajuste de licenciamento que ocorre no meio do ciclo contratual. Com isso, o impacto aparece primeiro na estrutura de custos e só depois no preço final.
No caso da VMware, a pressão remonta à conclusão da compra da empresa pela Broadcom, em uma transação de US$ 69 bilhões (R$ 358,1 bilhões) finalizada em novembro de 2023. Desde então, a revisão dos modelos comerciais levou parte do mercado a reavaliar sua dependência da plataforma. Um levantamento da Portworx repercutido pela DCD apontou que 97% das empresas registraram aumento nos custos de licenciamento e 91% reduziram o uso da VMware, enquanto 69% planejam diminuir ainda mais essa dependência.
No hardware, o cenário também é de instabilidade. A escassez de componentes, impulsionada pela demanda de infraestrutura para inteligência artificial, alterou a dinâmica comercial do setor: propostas de venda de servidores x86, que tradicionalmente tinham validade de 30 dias, passaram a circular com validade de apenas três dias, com a possibilidade de revisão do preço no momento da entrega. A disputa por memória e armazenamento com os grandes projetos de IA tem contribuído para a alta.
Na avaliação da ITGLOBAL.COM, provedora internacional de nuvem e distribuidora de soluções de TI, o episódio deslocou a discussão do campo tecnológico para o do risco financeiro, em linha com um debate que vem ganhando espaço no mercado.
Segundo Peter Jilinski, diretor regional da ITGLOBAL.COM, quando o custo de licenciamento pode mudar por decisão de um único fornecedor, a escolha deixa de ser apenas técnica e passa a representar exposição financeira. Para o executivo, o que mudou em 2026 não foi propriamente o preço, mas a previsibilidade.
De acordo com a empresa, as alternativas em avaliação pelo mercado têm menos em comum no hipervisor (a camada de software que cria e executa as máquinas virtuais) e mais no modelo comercial: licenciamento previsível, liberdade de escolha do hardware e ausência de cláusulas que obriguem o cliente a recontratar o pacote completo. Parte dos provedores tem migrado para soluções baseadas em KVM, enquanto outras arquiteturas, como as construídas sobre o hipervisor bhyve, disputam os mesmos ambientes.
É nesse segmento que a ITGLOBAL.COM passa a oferecer no Brasil a vStack, plataforma de infraestrutura hiperconvergente desenvolvida sobre o sistema operacional FreeBSD, o sistema de arquivos ZFS e o hipervisor bhyve. A solução integra computação, armazenamento e rede em uma única camada de software. Segundo a empresa, o licenciamento é feito por processador físico, independentemente do número de máquinas virtuais, e a plataforma pode ser executada em servidores de qualquer fabricante. O conjunto inclui recursos de compressão e deduplicação de dados, alta disponibilidade e recuperação automática em caso de falha, o que, de acordo com a companhia, impacta diretamente o custo total de propriedade (TCO). A empresa já vinha se posicionando sobre o tema da previsibilidade de custos em discussões como a do ReData e a expansão da infraestrutura de nuvem no país.
Segundo a AbraCloud, 96% das associadas oferecem serviços de nuvem para empresas e 81% disponibilizam serviços gerenciados. Entre as associadas, 40% atendem entre 1.000 e 3.000 clientes, com predominância de médias (96%) e pequenas empresas (92%). Na prática, isso significa que a decisão de virtualização de um provedor se propaga por toda a sua carteira de clientes.
Jilinski avalia que substituir o hipervisor sem antes mapear as cargas de trabalho equivale a trocar o motor de um veículo sem examinar o chassi. De acordo com o executivo, a avaliação deve começar pelos requisitos de cada ambiente e pelas janelas de indisponibilidade aceitas pelo negócio, e a redução de custos deve ser consequência desse processo, e não seu ponto de partida.
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