Os data centers representaram 31% do financiamento imobiliário privado total angariado globalmente entre o primeiro e o terceiro trimestre de 2025, um aumento em relação à média de 15% desde 2020, segundo um relatório da empresa de gestão de investimentos Colliers.
O relatório Global Investor Outlook 2026 da Colliers citou esse número da Pere Research, cujo relatório de angariação de fundos do terceiro trimestre de 2025 mostrou que o financiamento total durante o período ficou em 17,9 bilhões de dólares (96,1 bilhões de reais). De acordo com a Pere, dois dos 10 maiores fundos fechados em 2025 eram veículos de investimento em data centers: o Blue Owl Digital Infrastructure Fund III, de 7 bilhões de dólares (37,5 bilhões de reais), e o Principal Data Center Growth & Income Fund, de 3,64 bilhões de dólares (19,5 bilhões de reais).
Em seu próprio relatório, a Colliers afirmou que houve um aumento acentuado nas alocações de capital para data centers em 2025, com os EUA permanecendo como o maior e mais maduro mercado.
No entanto, a empresa de gestão de investimentos observou que a EMEA cresce rapidamente em investimentos em data centers, com mercados como a Alemanha, os Países Baixos e o Reino Unido atraindo investimentos significativos devido à sua conectividade, estruturas regulatórias e proximidade com os principais centros tecnológicos.
A Colliers afirmou que os data centers registram níveis "sem precedentes" de angariação de fundos, com o setor agora substituindo os pilares tradicionais de investimento no setor imobiliário, tais como os setores industrial, logístico e de escritórios.
Apesar do investimento recorde, continuam a existir desafios significativos em termos de disponibilidade de energia, restrições de terrenos e complexidade regulatória, afirmou a Colliers.
Os investidores estão cada vez mais focados em ativos ligados à infraestrutura, considerando a disponibilidade de energia e a capacidade da rede como fatores críticos na seleção do local. A Colliers observou que a procura em Frankfurt, Londres e Amsterdã (a FLA nos mercados FLAPD com o mesmo nome) era forte, mas os novos empreendimentos sofrem com restrições de energia e obstáculos de planeamento.
Isto leva os investidores a procurar locais secundários e emergentes, nos quais os governos fazem investimentos positivos em infraestruturas digitais e energia. A Colliers identifica isso pelo aumento da atividade de portfólio no sul e leste da Europa, citando negócios significativos na Eslováquia e na Polônia, embora a empresa de investimentos não mencione investimentos específicos em data centers nessas regiões.
"Os data centers atraem capital significativo", afirmou Gonzalo Martín, diretor de Mercados de Capitais de Centros de Dados, EMEA. "Mas o desenvolvimento não é simples. A disponibilidade de energia, as restrições de terreno e a complexidade regulatória significam que os investidores em data centers precisam de um profundo conhecimento local e estratégias de longo prazo".
Lottie Tollman, diretora de Data Centers Advisory, EMEA, acrescentou: "Os ocupantes procuram soluções de data centers que equilibrem resiliência, sustentabilidade e rapidez de comercialização. A colaboração entre operadores, proprietários e investidores é vital para atender aos requisitos em evolução e desbloquear valor a longo prazo".
*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria
Comments