A Elea Data Centers está ampliando sua estratégia de expansão no Brasil com base em uma tese de infraestrutura digital distribuída, que integra conectividade, energia renovável e capacidade computacional. Segundo Fernanda Belchior, diretora de Vendas e Marketing da companhia, a empresa vive uma nova fase de crescimento após a aquisição pela I Squared Capital, que dará suporte ao plano de expansão da operadora.

Atualmente, a Elea conta com nove data centers interconectados, mais de 1 GW de capacidade planejada e mais de 300 MW em terrenos com energia garantida. O pipeline da companhia, em diferentes estágios de maturidade, poderá demandar mais de US$ 10 bilhões em capital. A estratégia combina descentralização, conectividade, energia renovável e projetos de grande escala, tendo como exemplos o BEL1, em Belém (PA), e a Rio AI City, no Rio de Janeiro.

De acordo com a executiva, a visão da Elea parte do princípio de que a infraestrutura começa pela rede e que o data center não existe de forma isolada. Para ela, é a combinação de conectividade, energia renovável e capacidade computacional que permite construir uma infraestrutura resiliente, sustentável e preparada para o longo prazo. Fernanda também relacionou esse modelo à soberania, ao afirmar que manter a capacidade de processamento e os dados em território nacional tem se tornado cada vez mais estratégico para empresas, instituições e para o próprio desenvolvimento do país.

O BEL1, desenvolvido em parceria com a AXIA Energia, terá capacidade inicial de 5 MW, com fornecimento de energia renovável e certificada. O projeto amplia a distribuição geográfica da infraestrutura digital brasileira e aproveita a posição estratégica de Belém nas rotas de conectividade da Região Norte, como alternativa complementar ao hub de Fortaleza.

Fernanda avalia que o projeto em Belém vai além da construção de um novo data center e representa uma infraestrutura capaz de viabilizar uma economia. Segundo ela, a região reúne empresas, instituições e ecossistemas que demandam capacidade computacional e conectividade. A executiva acrescentou que levar infraestrutura ao Norte também contribui para reduzir as desigualdades digitais e para criar condições para que o desenvolvimento econômico ocorra de forma mais distribuída e sustentável.

No Rio de Janeiro, a Rio AI City representa a frente de expansão em grande escala da Elea, voltada à crescente demanda por inteligência artificial e por computação de alta densidade. O projeto prevê 1,5 GW de capacidade inicial de energia renovável e será desenvolvido de forma faseada, acompanhando a evolução da demanda.

A iniciativa reúne diferentes agentes de infraestrutura. A Elea firmou memorandos de entendimento (MoUs) com a Prefeitura do Rio e a CCPar, além da AXIA Energia, Light e Tapestry, divisão da X voltada ao desenvolvimento de tecnologias de fronteira.

Segundo Fernanda, trata-se de projetos de engenharia de escala sem precedentes, que não se limitam à construção de um data center, mas exigem equacionar energia, transmissão, conectividade, terreno e demanda. A executiva ressaltou que esse trabalho precisa ser conduzido com visão de longo prazo, tendo como premissas energia renovável, eficiência e sustentabilidade.

A Rio AI City também está conectada ao ecossistema digital já existente no Rio de Janeiro, incluindo a proximidade com a infraestrutura de data center da Globo.

Para a diretora, as frentes de Belém e do Rio se complementam: em alguns locais, a companhia terá projetos de escala global; em outros, criará polos regionais. O elo entre essas iniciativas, segundo ela, é a tese de uma infraestrutura digital distribuída, resiliente e próxima da demanda.

Fernanda também destacou a importância de um ambiente regulatório capaz de acompanhar os investimentos de longo prazo no setor e citou o ReData como uma iniciativa relevante para estimular a expansão da infraestrutura digital no país.

A executiva ressaltou ainda que o desenvolvimento de grandes projetos exige a integração entre energia, transmissão, conectividade e tecnologia. Nesse contexto, a Elea trabalha com parceiros, como a Tapestry, em soluções que utilizam inteligência artificial para apoiar o planejamento e a análise da infraestrutura elétrica. Para Fernanda, a IA não apenas cria demanda por infraestrutura, mas também pode ajudar a construí-la de forma mais eficiente.

A demanda por infraestrutura digital também cresce entre grandes empresas e instituições públicas. Um exemplo é o contrato firmado com a Petrobras, que prevê 30 MVA de capacidade por 17 anos para aplicações de computação de alto desempenho (HPC).

Na avaliação da executiva, falar em soberania digital significa também tratar de capacidade de processamento, ciência, tecnologia e dados em solo brasileiro, agenda que, segundo ela, precisa caminhar junto com sustentabilidade e resiliência. Fernanda afirmou que há uma oportunidade de construir, no Brasil, uma infraestrutura capaz de atender a essa demanda com segurança, eficiência energética e visão de longo prazo.

Com a entrada da I Squared Capital, a Elea inicia uma nova etapa de expansão, combinando projetos de grande escala, como a Rio AI City, com novos polos regionais, como o de Belém, sem deixar de lado a modernização de seu parque de data centers existente. A estratégia é desenvolver uma infraestrutura digital mais distribuída, conectada, resiliente e sustentável, capaz de acompanhar a crescente demanda por capacidade computacional e de gerar valor para diferentes regiões do país.