A catarinense Novalogic, que completa 20 anos em 2026, projeta faturamento de R$ 300 milhões em 2028 e de R$ 1 bilhão em 2030, segundo o CEO Felippe Prates. Atualmente, metade da receita da empresa vem de obras para data centers, 30% de infraestrutura crítica e 20% de projetos verticais de alto padrão, de acordo com matéria da Exame.

Prates afirmou que o ritmo de crescimento traz novos desafios, já que a expansão geográfica, o aumento da capacidade operacional e o desenvolvimento de ativos próprios de longo prazo elevam a demanda por capital, o que exige disciplina financeira na estruturação desse avanço.

Prates cresceu em Imbituba (SC) e passou por diversos trabalhos antes de ingressar na área de tecnologia. Um curso de AutoCAD, custeado pela mãe, o aproximou do desenho técnico, área em que passou a atuar com um tio arquiteto. Após a morte do tio, voltou aos trabalhos manuais e passou a dar aulas de informática e de AutoCAD.

A mudança para Joinville, então em plena transformação industrial, o levou a fundar a Novalogic em 2006, inicialmente voltada à conexão de máquinas do setor metalmecânico e à informatização de cartórios. Uma crise no setor quase levou o negócio ao fim, obrigando Prates a vender bens para pagar funcionários e fornecedores.

Segundo o executivo, uma viagem ao Canadá foi decisiva para a guinada da empresa em direção à fibra óptica e aos data centers, tecnologias às quais teve acesso em uma feira no país. De volta ao Brasil, obteve uma máquina de fusão de fibra óptica por meio de um acordo de confiança com um fornecedor estrangeiro, o que viabilizou um contrato de R$ 1,2 milhão para um shopping em Balneário Camboriú, projeto que ajudou a recuperar a empresa.

A entrada no mercado de data centers ocorreu anos depois, após contato com um executivo de uma grande empresa de tecnologia em uma feira em Las Vegas. Sem experiência prévia no segmento, a Novalogic obteve apoio técnico e participou da construção de um data center em Santos, ampliando posteriormente sua atuação para outros grandes grupos de tecnologia. Prates não revelou os nomes de parte desses clientes, alegando acordos de confidencialidade.

Uma das frentes de crescimento identificadas pela empresa é a participação em Parcerias Público-Privadas (PPPs), modelo em que companhias privadas assumem investimentos e prestam serviços de infraestrutura em contratos de longo prazo com o poder público. A Novalogic pretende disputar projetos em ferrovias, rodovias, aeroportos, portos, iluminação pública e segurança — uma mudança de perfil que a levaria de executora de obras a operadora de contratos de maior porte e de prazo mais longo.

Prates afirmou que a empresa já está presente em praticamente todo o Brasil e que a estratégia agora é criar bases fixas mais próximas dos projetos, reduzindo deslocamentos e formando equipes locais. Nesse sentido, a companhia adquiriu uma área de 50 mil metros quadrados no Nordeste para uma nova unidade e planeja ampliar sua estrutura em Alphaville (SP), além de abrir bases em outras regiões, com contratação de mão de obra local.

A Novalogic avalia iniciar operações na Colômbia, no Peru, no Chile, na Argentina e nos Estados Unidos, além da Finlândia, na Europa, e de Marrocos, como possível porta de entrada para o mercado africano. Segundo Prates, nos Estados Unidos, a empresa enfrenta um obstáculo adicional relacionado às regras de imigração e de mão de obra e ainda avalia como viabilizar a transferência de profissionais e a obtenção de vistos.