Durante muitos anos, a Malásia foi ignorada pelo mercado de data centers. Sendo um país relativamente pequeno no Sudeste Asiático, os hiperescaladores não mostraram muito interesse em construir no país e, como resultado, a Malásia teve que assumir o comando.

Em uma recente conversa do DCD>Talk, sentamos com Wan Murdani, diretor de facilitadores digitais da MDEC, a Corporação de Economia Digital da Malásia, para falar sobre como o país passou de ser ignorado para ser classificada como o 22º cenário de data centers do mundo e o segundo na ASEAN pelo Índice de Localização de Data Centers da Arcadis.

Malaysia
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Segundo Murdani, o progresso só começou a decolar em 2010, quando o governo foi convencido com sucesso de que os data centers eram um impulsionador fundamental em seu plano de transformação econômica nacional de quatro pilares.

"Naquela época, não tínhamos nada, não tínhamos nenhum hiperescalador, nenhum investimento importante em data centers. Mas o que fizemos foi mostrar ao mundo que o governo está comprometido em trazer esse investimento", disse Murdani.

Com o respaldo do governo, a MDEC pôde iniciar o processo de diligência em relação aos requisitos que os investidores procurariam ao ingressar em novos mercados.

"A partir daí, procuramos ver quais locais têm algum nível de prontidão para serem posicionados como possíveis locais de investimento", disse Murdani. "É aqui que recebemos o apoio das empresas de telecomunicações, provedores de conectividade, fornecedores de energia e dos governos estaduais."

Em termos de demonstrar que havia uma demanda por infraestrutura digital, isso nunca foi realmente um problema para a Malásia. Somente na ASEAN, Murdani cita que há pelo menos 440 milhões de usuários de internet, e o PIB da economia digital chega a cerca de US$ 3 trilhões. Portanto, a Malásia não serve apenas o seu próprio país, mas também pode exportar serviços de infraestrutura digital para os países vizinhos, contribuindo para esse número massivo.

Para colocar a Malásia no mapa dos data centers, a MDEC abordou três aspectos.

"Há três áreas principais que nos foram atribuídas", explica Murdani. "A primeira é atrair investimentos digitais. Portanto, somos a principal IPA - Agência de Promoção de Investimentos - para investimentos digitais. A segunda é ajudar empresas locais a penetrar no mercado regional. E, por fim, talento global. Esses três ingredientes são bastante importantes para impulsionar a economia."

Em última análise, a MDEC está tentando contribuir com cerca de 25% do PIB nacional por meio de "atividades econômicas digitais".

"Quando começamos a promover esse tipo de investimento, as pessoas nos questionavam e argumentavam que não estávamos trazendo empregos de alto valor", admitiu Murdani. "Acho que foi exatamente naquele momento, porque não havia empregos diretos a serem criados a partir desse tipo de investimento. Mas existem mais empregos indiretos sendo criados. Por exemplo, se você está trazendo milhares de servidores para a Malásia, você precisa de pessoas para atualizar esses servidores, serviços de engenharia e empresas para atender aos requisitos mecânicos e elétricos do data center. Você precisa de desenvolvedores específicos para desenvolver serviços de produtos integrados a um data center. Portanto, esses são os empregos intangíveis que não faziam parte do investimento inicial, mas criaram o ecossistema adequado para impulsionar esses tipos de funções", comenta.