A empresa Cisco destacou, durante o Cisco Connect Brasil 2026, realizado na terça-feira, 1 de abril, em São Paulo, que a adoção de inteligência artificial já impulsiona a modernização de redes, data centers e arquiteturas de processamento no país, informa o site Tele.Síntese. O evento teve foco em aplicações práticas de IA, conectividade segura, resiliência digital e infraestrutura preparada para novas demandas.
O presidente da Cisco Brasil, Ricardo Mucci, afirmou que a empresa observa um aumento consistente na procura por projetos de atualização tecnológica, motivados pela necessidade de suportar maior tráfego, processamento distribuído e uso intensivo de aplicações de IA. Segundo ele, esse movimento envolve tanto a renovação de data centers quanto discussões sobre capacidade de backbone e interconexão.
Mucci acrescentou que a companhia tem trabalhado com clientes na preparação de infraestruturas para treinamento e inferência de modelos, incluindo projetos que já utilizam conexões acima de 400 e 800 gigabits.
Um dos pontos centrais do Cisco Connect Brasil 2026 foi a relação direta entre a adoção de inteligência artificial e a necessidade de renovação de infraestrutura. Segundo Laércio Albuquerque, vice-presidente da Cisco Brasil, o mercado já não consegue sustentar projetos de IA sobre estruturas de TI defasadas. Ele afirmou que a demanda por ambientes mais ágeis e seguros em data centers, redes e segurança vem crescendo.
Ricardo Mucci reforçou que a discussão sobre IA deixou de se concentrar apenas em software ou nuvem e passou a abranger as condições físicas e lógicas da infraestrutura existente. De acordo com ele, empresas que migraram fortemente para a nuvem agora reavaliam custos e arquitetura, o que abre espaço para modernização de data centers e reorganização da capacidade computacional.
Mucci também comentou sobre a escassez de memórias no mercado, afirmando que a Cisco mantém proximidade com os clientes para mitigar impactos, prática que, segundo ele, foi essencial durante a pandemia e permanece como estratégia atual.
O Cisco Connect Brasil 2026 também destacou o avanço do processamento na borda. Segundo o vice-presidente da Cisco Brasil, Laércio Albuquerque, a arquitetura necessária para aplicações de inteligência artificial exige trazer a capacidade computacional mais próxima da origem dos dados. Ele afirmou que esse movimento demanda integração entre servidor, armazenamento e rede, reforçando que a conectividade é o elemento central dessa transformação.
O modelo ReData foi outro tema abordado. Ricardo Mucci declarou apoio à política e defendeu que ela considere não apenas produtos acabados importados, mas também os insumos utilizados na produção local. Ele afirmou que cerca de 55% das vendas da empresa no país são de equipamentos fabricados no Brasil e que a isonomia tributária é essencial para atrair investimentos em infraestrutura digital.
Mucci avaliou que o Brasil tem potencial para ampliar sua relevância como polo de data centers na América Latina e disse que operadores do setor aguardam maior clareza regulatória para avançar com novos projetos, apesar da demanda crescente por capacidade.
O executivo também citou o aumento da procura por interconexão entre data centers e o papel dos pequenos provedores na expansão da infraestrutura. Segundo ele, esses provedores continuam investindo em fibra e na interligação de redes e representam uma parcela significativa do mercado nacional, tornando-se um segmento estratégico para a Cisco.
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