2025 ficará registrado como o ano em que a infraestrutura digital deixou de ser vista como um setor de apoio para assumir seu lugar como o centro da nova economia global. Esse movimento é resultado direto da corrida por capacidade de processamento de dados para Inteligência Artificial, da competição pela próxima geração de novas tecnologias e de uma reorganização da indústria que alterou definitivamente o papel de mercados como o Brasil.

A demanda por IA, entre outras aplicações digitais que estão transformando a economia digital, tornou os data centers um ativo estratégico para hiperescalas, empresas de conteúdo e cloud, governos e empresas de diferentes verticais. Mas, acima de tudo, tornou evidente que o mapa global da computação precisava ser redesenhado — e que países capazes de oferecer energia em abundância e renovável, grandes terrenos e conectividade internacional robusta conquistariam um protagonismo inédito. É nesse contexto que o Brasil chega ao final de 2025 com a oportunidade mais clara de sua história recente que precisa agora se consolidar.

Ao longo deste ano, assistimos a uma mudança estrutural: não são mais apenas países competindo entre si, mas blocos econômicos disputando onde nascerão os próximos megaclusters de IA. Estados Unidos e China aceleram a construção de parques de computação; a Europa busca equilibrar inovação e regulação; e a América Latina finalmente deixa de ser observadora para se tornar participante ativa do jogo. Hoje, hiperescalas avaliam o continente com lógica de deployment global, não mais como destino secundário. E, nessa disputa, o Brasil vem passando de coadjuvante a protagonista.

A MP que criou o ReData, programa que prevê reduzir drasticamente tarifas de importação de equipamentos importados em 40 a 50%, foi mais do que uma mudança tributária: representou um sinal claro de que o país sabe o que precisa fazer para competir por investimentos bilionários. Some-se a isso uma matriz elétrica 90% renovável, um pipeline de mais de 9 GW disponíveis para expansão e a posição geográfica privilegiada que nos conecta com redes de alta capacidade a EUA, África e Europa. Os elementos certos finalmente se alinharam, porém ainda temos alguns desafios a vencer como segurança jurídica e regulamentação equilibrada sobre o uso da IA que também ainda está em discussão no Congresso.

Outro ponto marcante deste ano foi o amadurecimento da discussão sobre onde a capacidade de IA realmente deve rodar. Por muito tempo, acreditou-se que a inferência ficaria majoritariamente no edge, ou seja, na borda, mais próxima do usuário. Mas o mercado aprendeu que parte relevante da inferência continua em grandes clusters, pelo volume e custo do processamento; workloads de alto desempenho ainda dependem da proximidade com cabos submarinos e ecossistemas de interconexão; e que a separação entre Core e Edge será menos geográfica e mais lógica — determinada pelo chipset, pelo tipo de workload e pela necessidade de latência.

Para 2026, a expectativa é que o Brasil finalmente entre no mapa global da IA. A base construída em 2025 prepara o país para uma virada histórica. O próximo ano deve marcar a chegada dos primeiros deployments de inteligência artificial em grande escala, não mais como possibilidade teórica, mas como resultado natural de uma combinação que o Brasil hoje consegue oferecer.

Ao mesmo tempo, começa a se consolidar novos hubs digitais pelo Brasil, além de São Paulo e Fortaleza, que hoje são as duas principais cidades em volume de troca de tráfego de dados no país. Cidades como Porto Alegre, Brasília, Belém e Recife passam a se posicionar como hubs para workloads distribuídos, clusters de IA e tráfego internacional, impulsionadas pela nova geração de data centers, de cabos submarinos e rotas ópticas de alta capacidade.

Outro avanço decisivo é o fortalecimento de uma vantagem competitiva inédita na região: a integração entre infraestrutura física, rede e energia. Em 2026, empresas globais buscarão o Brasil não apenas pela disponibilidade de capacidade, mas por um caminho de entrada ao continente que reúna, de forma coordenada, cabos submarinos, fibra óptica nacional, energia abundante e limpa e data centers preparados para workloads de IA.

O que 2025 mostrou é simples: o Brasil tem todas as condições para ser protagonista no mapa global de investimentos em data centers, mas o avanço depende de clareza institucional e precisa de um ecossistema que reconheça a importância dessa indústria. Isso representa mais do que uma oportunidade comercial — significa participar da construção da infraestrutura crítica que sustenta e economia digital do país e posicionar o Brasil como um dos pontos mais estratégicos da nova geografia digital do mundo. E essa transformação já começou.