A Telefônica|Vivo concluiu a aquisição integral da joint venture de infraestrutura fixa FiBrasil, ao adquirir os 50% de participação pertencentes ao grupo de investimentos canadense Caisse de Dépôt et Placement du Québec (CDPQ), de acordo com o Telco Titans.

A operação foi finalizada após o cumprimento das condições precedentes e a obtenção das aprovações regulatórias exigidas, incluindo as do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e da Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL).

Anunciada em julho de 2025, a transação resultou na transferência da participação da CDPQ para a Vivo. A participação restante já era dividida entre a própria Vivo e a Telefônica Infra, braço de infraestrutura da controladora. Com isso, a Vivo passou a deter 75,01% da FiBrasil, enquanto a Telefônica Infra manteve 24,99% de participação.

A Vivo pagou 858 milhões de reais pela holding.

Em 2020, a CDPQ e a Vivo estabeleceram a joint venture FiBrasil com o propósito de acelerar e ampliar a cobertura de redes de fibra óptica no Brasil. A iniciativa contribuiu para a expansão da área de atuação da Vivo em serviços de fibra até as instalações (FTTP), considerados de maior valor agregado. Até 30 de setembro de 2025, a FiBrasil adicionou 4,4 milhões de residências à cobertura total da Vivo, que alcançou 30,5 milhões de domicílios.

A ampliação da rede de fibra também viabilizou o início dos planos da Vivo para desativar sua infraestrutura legada baseada em cabos de cobre, conforme anunciado em fevereiro de 2025. A empresa estimou que a venda dos ativos físicos relacionados, como cabeamento e equipamentos de troca, poderia gerar até 4,5 bilhões de reais. Segundo informações divulgadas pelo Telco Titans, a Vivo pretende direcionar esses recursos à distribuição aos acionistas e a novas operações de fusões e aquisições nos segmentos de serviços digitais e de fibra, dando continuidade à estratégia de crescimento adotada nos últimos anos.

A incorporação da FiBrasil está em sintonia com a estratégia atual da Telefônica, denominada Transform & Grow, que busca tornar a gestão de redes e ativos de infraestrutura mais direta e eficiente.

Como parte dessa abordagem, o Grupo pretende integrar ativos de fibra e outras infraestruturas aos negócios operacionais locais, promovendo maior alinhamento entre infraestrutura, redes e serviços, com foco em ganhos operacionais e comerciais.

Essa orientação representa um afastamento do modelo anterior de separação entre infraestrutura e engenharia financeira, que havia fundamentado a criação da Telefônica Infra em 2019, durante uma reestruturação dos negócios. Além da FiBrasil, essa mudança de posicionamento também foi evidenciada pela decisão recente do Grupo de suspender a criação planejada de uma empresa de telecomunicações no Reino Unido.

A aquisição também está alinhada à estratégia atual da Telefônica, que prioriza seus quatro principais mercados — Brasil, Alemanha, Espanha e Reino Unido — e busca ampliar sua atuação em outras regiões da Europa, ao mesmo tempo em que acelera a saída de mercados considerados desafiadores na divisão América Hispânica.

O Brasil, que não integra essa divisão, é visto como um mercado com potencial para oferecer crescimento consistente, especialmente por apresentar menor exposição à volatilidade cambial.

Além da FiBrasil, o portfólio da Telefônica Infra inclui participações na joint venture de cabos submarinos Telxius, bem como em outras redes de fibra com participação parcial: Bluevía e fiberpass (Espanha), nexfibre (Reino Unido) e Unsere Grüne Glasfaser (Alemanha). Esses ativos representam cerca de 35% da presença internacional da companhia na infraestrutura de fibra óptica.