A Superintendência-Geral do Cade aprovou, sem restrições, a compra de 100% da Tivit Infraestrutura de Tecnologia, que opera sob a marca Takoda, pelo M. Transportation Fundo de Investimento em Infraestrutura, administrado pela Monte Capital Management, informa o site Tele.Síntese. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União em 13 de julho.
A análise foi realizada pelo rito sumário, uma vez que o grupo comprador não possui atuação prévia no mercado brasileiro de data centers. A Takoda é atualmente controlada pelo APX Brazil FIP Multiestratégia (Apax FIP), por Luiz Roberto Novaes Mattar e por acionistas minoritários. Com a operação, o M. Transportation assumirá o controle integral da empresa. Os termos financeiros do negócio permanecem sigilosos.
A Takoda opera quatro data centers, dois em São Paulo, um no Rio de Janeiro e outro em Bogotá, oferecendo colocation e serviços de infraestrutura de TI. Em 2025, registrou faturamento de 227,46 milhões de reais no Brasil e de 242,79 milhões de reais, considerando também suas operações internacionais.
A empresa não integrou a venda da Tivit Terceirização à italiana Almaviva, aprovada pelo Cade em julho de 2025. Até a conclusão da nova transação, a Takoda segue sob controle do Apax FIP, cuja gestora, a Apax Partners, administra cerca de 80 bilhões de dólares (404,8 bilhões de reais) em investimentos.
As requerentes afirmaram que a operação tem caráter de investimento financeiro em private equity. Para o comprador, a aquisição abre espaço para ampliar e desenvolver uma plataforma de data centers na América Latina; para o vendedor, representa uma forma de capitalização.
A Monte Capital administra dois fundos de private equity criados em 2020, com prazo de 25 anos e cerca de 2 bilhões de reais em recursos: o M. Transportation e o N Saneamento FIP Infraestrutura. No Brasil, o grupo possui participação minoritária indireta na Invepar, controladora do Aeroporto de Guarulhos, e atua no setor de saneamento por meio da Norte Saneamento, que presta serviços de água e esgoto em 46 municípios de cinco estados.
O processo também detalha a estrutura da Takoda para contratação e gestão de energia. A empresa controla integralmente a Takoda Comercializadora de Energia, responsável por administrar e vender os excedentes adquiridos para abastecer os data centers. A operadora mantém, ainda, participação, em sigilo, na Ventos de São Mizael Holding, ligada a um projeto de autoprodução por equiparação. O empreendimento opera geração eólica no Rio Grande do Norte, com 63 MW de potência outorgada.
Segundo as empresas, essa participação permite à Takoda adquirir energia para suas operações, sem caracterizar atuação direta na geração. O Cade classificou tanto a comercialização de excedentes quanto o vínculo ao projeto eólico como atividades acessórias ao negócio principal de data centers.
O Cade avaliou a operação com base no mercado nacional de serviços de data center, segmento que o órgão já analisou tanto isoladamente quanto no setor mais amplo de tecnologia da informação. Como o M. Transportation e seu grupo econômico não possuem data centers no país, a Superintendência-Geral concluiu que não há sobreposição horizontal entre as atividades das partes. Também considerou que as operações do comprador nos setores de aeroportos e de saneamento não mantêm relação vertical com os serviços de data center e de infraestrutura de rede oferecidos pela Takoda.
Segundo as empresas, a transação não exige análise por autoridades de concorrência de outros países e não depende da aprovação de outros órgãos reguladores no Brasil ou no exterior.
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