A Siemens Energy firmou um contrato superior a 100 milhões de reais com a Terranova, plataforma de data centers da gestora Actis, para desenvolver a infraestrutura de energia dos futuros campi da empresa em Campinas (SP), informa a CNN. O projeto inclui a construção de uma subestação isolada a gás (GIS) com capacidade de 300 MW e a instalação de dois transformadores de 440/34,5 kV, com 150 MVA cada, produzidos nas unidades da Siemens Energy em Jundiaí e na China.
Segundo Marcela Souza, vice-presidente sênior da Siemens Energy para a América Latina, a aquisição de equipamentos é um dos principais desafios diante da alta demanda global, impulsionada sobretudo pelo mercado dos Estados Unidos. Ela afirma que cerca de 80% da produção das fábricas da companhia está sendo direcionada ao mercado americano, movimento associado à expansão da inteligência artificial e à necessidade de novas linhas de transmissão.
O CEO da Terranova, José Eduardo Quintella, afirma que o contrato com a Siemens Energy foi firmado paralelamente à aprovação do acesso à rede elétrica, assegurando a conexão ao Sistema Interligado Nacional (SIN). Ele destaca que a região de Campinas possui alta conectividade e oferta de energia para aplicações em nuvem e inteligência artificial, mas reconhece limitações na capacidade do sistema elétrico. Segundo Quintella, polos como Santana de Parnaíba, Barueri, Campinas e Vinhedo concentram algumas das maiores cargas do país, mas enfrentam entraves à expansão de linhas de transmissão.
A entrega dos equipamentos está prevista para 2027 e faz parte da estratégia de expansão da Terranova no mercado brasileiro de data centers de grande porte, impulsionado pela demanda crescente por serviços digitais e inteligência artificial. Após a definição da infraestrutura de transmissão, a empresa deve avançar para a contratação de PPAs de longo prazo, possivelmente com fontes renováveis. Uma das alternativas avaliadas é a Serena, empresa investida pela Actis.
A Terranova ainda não definiu os futuros clientes dos data centers, segmento dominado por grandes empresas de tecnologia e processamento de dados. Quintella avalia que o ritmo de contratação pode acelerar com o ReData, regime especial criado pelo governo para incentivar a instalação de data centers no país por meio de benefícios tributários.
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