A Amazon confirmou que adquirirá a operadora de satélites Globalstar em um negócio avaliado em 11,6 bilhões de dólares (57,8 bilhões de reais).
O acordo apoiará as ambições da Amazon de expandir sua rede de satélites Amazon Leo. A oferta apresentada pela Amazon chega a 90 dólares (448,7 reais) por ação aos acionistas da Globalstar.
Segundo a Amazon, a aquisição inclui os satélites da Globalstar, o espectro de radiofrequências e a experiência operacional. Isso ajudará a Amazon a adicionar serviços Direct-to-Device (D2D) às futuras gerações da sua rede de satélites em órbita terrestre baixa.
A confirmação do acordo surge apenas duas semanas após as notícias de que a Amazon preparava uma oferta para adquirir a Globalstar.
Como parte do acordo, a Amazon e a Apple também anunciaram um acerto para que a Amazon Leo forneça serviços de satélite para o iPhone e o Apple Watch, incluindo o Emergency SOS via satélite.
A Apple detém, nomeadamente, uma participação de 20% na Globalstar, que adquiriu em novembro de 2024 em um negócio de capital no valor de cerca de 400 milhões de dólares (1,9 bilhão de reais). Acordou também em conceder à Globalstar 1,1 bilhão de dólares (5,5 bilhões de reais) em dinheiro para expandir os serviços de satélite do iPhone. Pelo acordo, a Globalstar concordou em ceder 85% da sua capacidade de rede à Apple.
A Amazon afirmou que a aquisição faz parte da visão de longo prazo da empresa para a conectividade espacial, o que levará a gigante a trabalhar com operadores de redes móveis (MNOs) e outros parceiros para fornecer conectividade.
"Existem bilhões de clientes por aí vivendo, viajando e operando em locais fora do alcance das redes existentes, e lançamos a Amazon Leo para ajudar a diminuir essa brecha", afirmou Panos Panay, vice-presidente sênior de dispositivos e serviços da Amazon.
"Ao combinar a experiência comprovada e a base sólida da Globalstar com a obsessão pela satisfação do cliente e a inovação da Amazon, os clientes podem esperar um serviço mais rápido e confiável em mais locais — mantendo-os ligados às pessoas e coisas que mais importam. Estamos entusiasmados por apoiar os usuários da Apple através do sistema Leo D2D e ansiosos por trabalhar com parceiros de redes móveis para ajudar a expandir a cobertura a todos os cantos do planeta".
A Amazon está preparada para implementar seu sistema de satélites D2D a partir de 2028, rivalizando com empresas como a SpaceX de Elon Musk.
Em janeiro, a Amazon Leo solicitou uma prorrogação de 24 meses para a implantação de seus satélites devido a atrasos nos lançamentos. A empresa tinha concordado em lançar 1.600 satélites até julho de 2026, metade da sua constelação planejada de 3.236 satélites.
No final do ano passado, foi noticiado que a Globalstar estava explorando a venda da empresa, com a SpaceX sendo apontada como potencial compradora. No entanto, nenhuma das empresas confirmou ou negou as notícias.
Lançada em 1991 como uma joint venture entre a Loral Corporation e a Qualcomm, a constelação de primeira geração da Globalstar é composta por 48 satélites em órbita terrestre baixa (LEO), com mais quatro satélites em órbita como sobressalentes, enquanto sua constelação de segunda geração é composta por 24 naves espaciais. A empresa atualmente trabalha em uma frota de terceira geração para apoiar a Apple e planeja uma constelação maior no futuro.
A Globalstar fornece serviços de conectividade a mais de 120 países.
"Há muito acreditamos que as constelações de satélites em órbita terrestre baixa oferecem o caminho mais eficaz para conectar verdadeiramente usuários e dispositivos em qualquer lugar e a qualquer momento", afirmou Paul Jacobs, CEO da Globalstar.
"A fusão com a Amazon Leo irá impulsionar inovações na conectividade digital que beneficiarão nossos clientes e nos levarão a um mundo mais inteligente e continuamente conectado".
O acordo está sujeito à aprovação regulatória. Cerca de 58% dos acionistas da Globalstar já aceitaram o acordo.
*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria
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