A expansão acelerada da inteligência artificial e dos serviços em nuvem impulsionou, em 2025, uma demanda recorde por data centers, tendência que deve se intensificar nos próximos anos. No Brasil, estimativas apontam que os investimentos no setor podem atingir pelo menos 60 bilhões de reais nos próximos quatro anos, consolidando o país como um dos principais mercados globais, de acordo com relatório da agência de classificação de risco Moody’s.
Com o avanço desses aportes em instalações consideradas críticas, aumenta também a exposição a vulnerabilidades e ameaças de segurança. Especialistas avaliam que o setor entra em uma nova fase, em que a proteção de data centers — e de qualquer infraestrutura essencial — exige mais do que respostas reativas. O cenário demanda ecossistemas integrados e adaptáveis, capazes de ampliar a consciência situacional, automatizar processos de detecção e resposta e antecipar riscos antes que se tornem críticos.
As técnicas de intrusão cibernética vêm evoluindo ao mesmo ritmo das tecnologias que buscam explorá-las. A expectativa para o próximo ano é de que o volume e a complexidade dos ataques continuem a crescer, impulsionados por campanhas de phishing apoiadas em inteligência artificial e por ransomwares mais sofisticados. Um estudo recente da Honeywell apontou um aumento de 46% nos incidentes de extorsão por ransomware.
Nos data centers, o risco é ampliado pela integração entre sistemas de TI e tecnologias operacionais. Equipamentos como sistemas de gestão predial, HVAC e dispositivos de IoT podem se tornar portas de entrada para ataques quando não monitorados ou atualizados. Paralelamente, o cenário de ameaças físicas também se transforma, com o avanço de tecnologias como drones, que podem facilitar ações de vigilância ou tentativas de acesso indevido.
Diante desse ambiente mais complexo, a proteção de data centers exige uma abordagem integrada. Segundo Michael Giannou, Global General Manager da área de Data Centers da Honeywell, o setor precisa avançar para um ecossistema de segurança totalmente conectado, superando a atuação baseada em ferramentas isoladas.
O avanço da segurança em data centers caminha rumo a modelos integrados que reúnem inteligência física, digital e operacional em um único sistema. Plataformas em nuvem já permitem conectar esses ambientes distintos e centralizar a gestão.
Uma abordagem unificada combina aplicações de segurança em múltiplos níveis, integrando a defesa física e a cibernética. Com isso, operadores passam a visualizar o risco de ponta a ponta, reunindo controle de acesso, videomonitoramento, detecção de intrusão e cibersegurança em um único centro de comando. O resultado é maior visibilidade em tempo real, redução de pontos cegos e respostas mais rápidas a incidentes.
Entre as tecnologias que sustentam esse modelo estão sistemas de videomonitoramento com inteligência artificial, capazes de identificar anomalias e acionar alertas automáticos; credenciais móveis com autenticação avançada, que tornam o acesso mais seguro e rastreável; integração de cibersegurança para proteger dispositivos conectados, como HVAC e sensores IoT; e soluções de controle de acesso em nuvem, que permitem gestão remota de permissões e registros.
Quando operam de forma coordenada, essas ferramentas ampliam a consciência situacional e possibilitam respostas automatizadas — desde a identificação de um dispositivo comprometido até o bloqueio de áreas ou o acionamento imediato do sistema de CFTV para coleta de evidências.
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