A F5 divulgou o State of Application Report (SOAS) 2026, que aponta uma mudança decisiva no uso corporativo de inteligência artificial. Segundo o estudo, a IA deixou de ser experimental e passou a operar como carga de trabalho crítica, exigindo o mesmo rigor de gestão aplicado a sistemas essenciais. O relatório mostra que 78% das organizações já realizam inferência de IA internamente, o que indica preferência por controle próprio em vez de plataformas públicas.
O cenário é marcado por alta complexidade: 93% das empresas operam em múltiplas nuvens e 86% distribuem aplicações em ambientes híbridos multicloud, o que eleva os desafios de entrega e de proteção das cargas de IA.
Para Kunal Anand, diretor de produtos da F5, a IA tornou-se operacional e indispensável. Ele afirma que o foco agora está em executá-la com confiabilidade, segurança e escala, transformando sua entrega em um problema de gerenciamento de tráfego e sua proteção em um desafio de governança.
O relatório foi elaborado a partir de entrevistas com 1.100 líderes de TI e de segurança, incluindo participantes do Brasil. Do total, 75% atuam em empresas com faturamento entre 6 bilhões e 10 bilhões de dólares (29,9 bilhões a 49,8 bilhões de reais) e 93% dependem diretamente da infraestrutura digital para sustentar o crescimento dos negócios.
As principais conclusões do relatório indicam que a inteligência artificial deixou de ser experimental e passou a integrar a estrutura das operações corporativas. As organizações coordenam, em média, sete modelos de IA em produção, e 77% afirmam que a inferência, e não o treinamento, já é a principal atividade de IA. O estudo aponta que a inferência deve ser tratada como carga de trabalho gerenciada, sujeita às mesmas exigências de arquitetura, segurança e escalabilidade aplicadas a sistemas críticos.
A pesquisa também mostra que estratégias baseadas exclusivamente em IA como Serviço perderam espaço: apenas 8% das empresas dependem totalmente de serviços públicos de IA. A maioria adota portfólios diversificados de modelos, o que exige controles avançados de roteamento, fallback e políticas para equilibrar custo, precisão e disponibilidade.
Esse movimento acompanha a expansão de ambientes multicloud e multambiente: 93% das organizações utilizam múltiplas nuvens e 86% operam aplicações distribuídas entre data centers próprios, nuvens públicas e colocation. Segundo o relatório, a governança unificada nesses ambientes é essencial para reduzir silos, evitar interrupções e manter consistência operacional.
A segurança também ganhou protagonismo. 88% das empresas enfrentaram desafios de segurança relacionados à IA, e 98% já se preparam para sistemas agênticos, que exigem identidades, permissões e proteções específicas. O estudo aponta que o perímetro de segurança está migrando para as camadas de prompt, token e identidade, o que torna os modelos tradicionais insuficientes.
Por fim, o relatório destaca uma mudança no gerenciamento das cargas de IA: 29% das organizações veem a camada de prompt como principal mecanismo de entrega, enquanto 23% priorizam a camada de token. A governança dessas camadas é considerada decisiva para otimizar custo, desempenho e segurança em ambientes corporativos.
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