Na quinta-feira, 13 de novembro, a Logicalis — empresa global especializada em soluções e serviços de tecnologia da informação e comunicação — apresentou o estudo IT Trends Snapshot 2025, conduzido em parceria com a consultoria Stratica. A pesquisa aponta tendências relevantes para o setor de tecnologia no Brasil em 2026 e indica que os principais focos estratégicos para o próximo ano incluem o aumento da eficiência operacional, a transformação de processos críticos e o fortalecimento da segurança digital.
A nona edição do IT Trends Snapshot oferece uma visão geral sobre a adoção de tecnologia no Brasil, com base na participação de 129 executivos de TI de diversos setores. Realizada entre agosto e setembro de 2025, a pesquisa aborda temas como prioridades estratégicas, inteligência artificial, segurança da informação, governança de IA e modelos de trabalho híbrido.
Entre os entrevistados, 67% identificaram a eficiência operacional como a principal prioridade de negócio, seguida da melhoria da experiência do cliente (59%) e da otimização de processos internos (57%).
Em relação ao orçamento, entre as empresas com faturamento superior a 1 bilhão de reais, 59% projetam crescimento nos investimentos em tecnologia da informação, sendo que 32% dessas companhias esperam um aumento superior a 10%.
A pesquisa da Logicalis também verificou as tendências sobre processamento de dados e IA. Os números mostram que a adoção de infraestrutura própria para o processamento de inteligência artificial (IA) ainda não figura como prioridade para a maioria das empresas. Segundo os dados coletados, 63% das organizações utilizam soluções de IA hospedadas externamente, predominantemente em ambientes de nuvem. Em contrapartida, apenas 30% afirmam investir ou ter planos de investimento em infraestrutura interna dedicada à IA.
Dentro desse grupo, 9% já operam a maior parte de seus ambientes de IA internamente; outros 9% estão em fase de implementação; e 13% ainda se encontram na etapa de planejamento. Além disso, 7% das empresas não detalharam o uso de IA ou indicaram não utilizá-la, o que sugere um nível inicial de maturidade no tema.
É interessante notar essas respostas no momento em que o Brasil vê uma tendência de crescimento no setor de data centers, com a criação da medida provisória ReData e a intenção de trazer os dados para armazenamento dentro do país. De acordo com a pesquisa, a baixa adoção de infraestrutura própria para inteligência artificial pode ser atribuída a diversos fatores. Um dos principais é a percepção, por parte das empresas, de que as soluções de IA atualmente implementadas ainda não desempenham um papel crítico em suas operações, o que reduz a justificativa para investir em ambientes internos dedicados.
Além disso, o alto custo de implantação, a complexidade técnica envolvida e, em muitos casos, o baixo volume de uso reforçam essa visão cautelosa. A escassez de profissionais qualificados para atuar com tecnologias de IA também representa uma barreira significativa.
Outro aspecto relevante é o nível de maturidade organizacional. Muitas empresas ainda não possuem uma compreensão clara do valor estratégico da inteligência artificial em seus processos, o que dificulta a tomada de decisões mais estruturadas e consistentes quanto à adoção de infraestrutura própria.
No evento em que o estudo foi divulgado à imprensa especializada, Márcio Caputo, CEO da Logicalis para a América Latina, disse que a pesquisa serve como "bússola" para o médio prazo, em vez de um estado atual definitivo. Caputo afirmou que o Brasil é a operação mais relevante entre os doze países e que o objetivo é tornar a operação do México comparável à brasileira. Além disso, o executivo aponta que a cibersegurança permanece a prioridade máxima para as empresas (80% dos entrevistados indicaram isso), o que não é surpresa. O avanço das ameaças cibernéticas impulsionadas por inteligência artificial, como phishing personalizado, deepfakes e engenharia social, evidencia a importância de estratégias de segurança mais integradas e proativas. Apesar disso, apenas 50% das empresas possuem um Centro de Operações de Segurança (SOC), o que evidencia uma limitação significativa na capacidade de monitoramento contínuo.
A automação de processos conquistou o segundo lugar, superando a Inteligência Artificial (IA), que ficou em terceiro. Para Caputo, a IA ficou nessa posição por questões como dados desorganizados, dilemas quanto à capacidade de processamento (nuvem versus data centers) e, crucialmente, a necessidade urgente de segurança e governança para lidar com novos riscos, como o sequestro de agentes virtuais.
Já Fabio Hashimoto, CTO da Logicalis, diz que muitas empresas estão investindo em IA mais por "modismo do que necessidade", sem planos concretos para medir resultados, embora casos de uso, como produtividade no escritório e prevenção de fraudes , mostrem potencial.
O estudo também identificou outras iniciativas relevantes para as empresas, como a aceleração da transformação digital (41%), a busca por novas fontes de receita (33%) e a ampliação da capacidade produtiva ou operacional (30%). Por outro lado, temas como a adoção de novos modelos de negócios digitais, a expansão geográfica e os processos de fusão e aquisição foram apontados como de menor prioridade, indicando maior ênfase em estratégias voltadas à eficiência e à obtenção de resultados no curto prazo.
Claudia Muchaluat, CRO da Logicalis, mostrou que 60% dos entrevistados planejam aumentar o orçamento de TI em 2026. Para Claudia, apesar da transformação tecnológica, o fator humano, com habilidades como o pensamento analítico e a empatia, nunca foi tão importante.
Por fim, o estudo aponta diferentes estratégias de proteção digital: 57% das empresas preferem múltiplas soluções especializadas, enquanto 43% optam por plataformas únicas. A integração entre ferramentas é um desafio comum, gerando custos e complexidade. Nesse cenário, simplificar e racionalizar as soluções de segurança é visto como uma forma de equilibrar proteção e eficiência.
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