Em meio às tensões entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, o governo brasileiro anunciou um pacote de três iniciativas voltadas a reduzir a dependência de tecnologias norte-americanas, informa o jornal Correio Braziliense.
O principal anúncio é a aquisição, por meio de edital competitivo, de um supercomputador com capacidade estimada em 7.200 petaflops, o que o colocaria entre os dez maiores do mundo em processamento de IA. O investimento previsto é de cerca de 1 bilhão de reais, e o equipamento será instalado no Parque Tecnológico Augusto Severo, vinculado à UFRN, com execução do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT). A operação deve começar no fim de 2027. A escolha do Rio Grande do Norte foi associada ao potencial energético do estado e ao objetivo de descentralizar a infraestrutura científica do país, levando-a ao Nordeste. O edital prevê transferência de tecnologia, capacitação, pesquisa e desenvolvimento, conteúdo local e participação de fornecedores brasileiros, com meta de capacitar 5 mil pessoas em cinco anos.
Em discurso durante o evento, Lula afirmou que o Brasil não pode ficar para trás na revolução digital e defendeu que brasileiros, acadêmicos e jovens do país nada devem aos chineses ou aos americanos, precisando apenas de oportunidades.
A segunda iniciativa é uma infraestrutura de supercomputação no Rio de Janeiro, conduzida pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) em parceria com as chinesas Huawei e iFlytek, com investimento estimado em 1,276 bilhão de reais ao longo de cinco anos e início das operações previsto para julho de 2027. O projeto prevê a transferência de tecnologia, a formação de profissionais, com meta de capacitar 3 mil pessoas em cinco anos, e o desenvolvimento de uma pilha de software soberana, além de ampliar pesquisas ligadas à inteligência artificial.
A terceira frente busca ampliar a capacidade nacional de desenvolvimento de chips, com horizonte de 10 a 15 anos, com base na arquitetura aberta RISC-V, em cooperação com o ecossistema de inovação de Barcelona. O objetivo é reduzir a dependência de arquiteturas controladas por poucas empresas ou países.
O pacote inclui ainda a estruturação da chamada Nuvem Brasileira, parceria entre setores público e privado para desenvolver no país componentes críticos de computação em nuvem e criar uma alternativa nacional de armazenamento e processamento de dados, com base em padrões abertos e tecnologia local. Um acordo entre o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), o Serpro e o BNDES deve dar início à estruturação do projeto.
Presente ao evento, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), comprometeu-se a votar o marco da inteligência artificial ainda este ano, referindo-se ao relatório do deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), atualmente parado. Motta também cobrou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pela votação do projeto que cria o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Centers (ReData), destacando o potencial do Brasil para atrair investimentos estrangeiros no setor. O parlamentar citou ainda que os dados do Pix são armazenados nos Estados Unidos, o que reforçaria a urgência de garantir soberania sobre essas informações.
A proposta do ReData havia sido enviada ao Congresso como medida provisória em 2025, mas perdeu validade. Posteriormente, o governo encaminhou o Projeto de Lei nº 278/2025, que destina 5,2 bilhões de reais do Orçamento de 2026 ao programa.
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