A Cummins anunciou nesta terça-feira (3) a ampliação da potência dos grupos geradores equipados com o motor QSK78 para até 3 MW, em resposta ao aumento da demanda por energia de backup em data centers. A novidade será apresentada pela Cummins Power Generation durante o DCD>Connect | Brasil 2026, que acontece nos dias 4 e 5 de novembro, no Sheraton São Paulo WTC Hotel, na capital paulista.
Com a ampliação, a plataforma de 78 litros passa a alcançar uma faixa de potência antes atendida pelo QSK95, de 95 litros, o maior motor de alta rotação já produzido pela fabricante. Segundo a empresa, a mudança amplia as alternativas disponíveis para projetos de infraestrutura digital. Em julho, a Cummins já havia apresentado o QSK78 para o mercado de 50 Hz, como nova integrante da série Centum de grupos geradores de alta potência.
De acordo com Leandro Vilhena, gerente de Data Center da Cummins Brasil, o dimensionamento da energia de backup precisa acompanhar a evolução das cargas e o planejamento de expansão de cada empreendimento. O executivo afirma que ampliar as opções de potência permite à empresa oferecer uma solução mais ajustada a cada projeto, considerando as condições de instalação e as necessidades de suporte ao longo da operação dos clientes do segmento.
Integrante da série Centum, a plataforma QSK78 reúne os modelos C2750D6E e C3000D6EB, com potências de até 2.750 kW e 3.000 kW, respectivamente, e opções de tensão de 416 V a 13,8 kV. A configuração de maior potência amplia a capacidade de atendimento com uma motorização de menor cilindrada, enquanto o QSK95 segue no portfólio para aplicações de até 3,5 MW.
Os grupos geradores com motor QSK78 combinam configuração de 18 cilindros em V, sistema de injeção Modular Common Rail (MCRS) e turbocompressores Cummins HPRC otimizados. Segundo a fabricante, o sistema de injeção controla o fornecimento de combustível e favorece a resposta às variações de carga, enquanto os turbocompressores contribuem para maior potência, menor consumo de combustível e melhor desempenho em emissões.
A plataforma conta ainda com o sistema Charge Air-to-Air, que utiliza o ar externo para resfriar o ar comprimido pelos turbocompressores antes de sua entrada no motor, o que ajuda a controlar a temperatura de combustão e a reduzir as emissões. Para instalações em ambientes quentes, há configurações de refrigeração dimensionadas para temperaturas de até 50 °C na entrada de ar do radiador, conforme as condições do projeto.
No controle de emissões, a plataforma atende ao padrão norte-americano EPA Tier 2 e limita as emissões de óxidos de nitrogênio (NOx) a 6 g/bhp-h.
O alternador STAMFORD S9, responsável por converter a energia mecânica do motor em eletricidade, incorpora a tecnologia CoreCooling, que otimiza a circulação de ar para dissipar o calor dos componentes internos e permite maior capacidade de geração em um equipamento compacto. Já o controle PowerCommand integra o gerenciamento do grupo gerador, com monitoramento, alarmes e proteções, além de coordenar a operação de múltiplos equipamentos em paralelo e a divisão da carga entre eles.
Entre os atributos destacados pela empresa estão a prontidão para receber carga em menos de dez segundos e a capacidade de assumir um bloco de carga em uma única etapa, conforme a configuração da instalação. O projeto também apresenta níveis reduzidos de ruído, o que facilita o tratamento acústico dos equipamentos.
Vilhena explica que, nos data centers, motor, alternador e controles precisam responder de forma coordenada quando há interrupção no fornecimento da rede elétrica e os grupos geradores entram em operação. Segundo ele, esse é um dos diferenciais da Cummins, que fabrica e integra componentes desenvolvidos para trabalhar em conjunto. Para o cliente, acrescenta o executivo, isso significa contar com um único fabricante responsável pela integração do sistema e pelo suporte, desde a definição da configuração e os testes até o acompanhamento técnico ao longo da vida útil dos equipamentos.
Assim como outros grupos geradores a diesel da Cummins aprovados para esse combustível, o QSK78 é compatível com HVO, diesel renovável que pode contribuir para reduzir as emissões de gases de efeito estufa ao longo de seu ciclo de vida. Segundo a empresa, o uso do combustível na plataforma preserva a potência e os requisitos de manutenção, sem necessidade de alterações no equipamento, e se apresenta como alternativa para reduzir a pegada de carbono dos sistemas de backup.
A fabricante já disponibiliza o uso de HVO em um data center de hiperescala no Brasil. O combustível também vem sendo testado por operadores do país, como a Scala Data Centers, que realizou uma prova de conceito com diesel verde, em meio à discussão sobre o papel do diesel renovável na descarbonização das operações e sobre alternativas ao backup tradicional, como os sistemas BESS.
A ampliação da capacidade de geração do QSK78 acompanha o crescimento dos investimentos em data centers, impulsionado pela inteligência artificial, pela computação em nuvem e pela expansão dos serviços digitais. Segundo a Cummins, o aumento da capacidade de processamento exige sistemas de energia de backup dimensionados para sustentar cargas mais elevadas e atender às etapas de expansão dos empreendimentos.
O setor de data centers integra as perspectivas de expansão da Cummins no Brasil. A companhia estima que o segmento poderá contribuir com até 20% do crescimento de sua receita nos próximos cinco anos. A atuação conta com o apoio da estrutura global de engenharia, fabricação e serviços da empresa, presente em mais de 190 países.
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