A Cummins deu um novo passo na agenda de descarbonização da geração de energia crítica no Brasil ao apoiar o uso de HVO (Hydrotreated Vegetable Oil) em um data center hiperescala. A iniciativa representa a primeira aplicação estruturada do combustível em grupos geradores da marca no país, indicando a preparação tecnológica da empresa para atender às demandas por soluções de menor impacto ambiental.
O projeto, conduzido pela Distribuidora Cummins Brasil (DCB), envolve um site de 60 megawatts equipado com 20 grupos geradores Cummins C3000D6E, de 3 MW cada, que passarão a operar com HVO ainda no primeiro trimestre, substituindo o diesel convencional. A aplicação é destinada ao regime standby, comum em data centers, garantindo energia em situações de contingência da rede.
O cliente também planeja expandir gradualmente o uso do HVO para outras duas instalações, à medida que a operação e a logística do combustível forem consolidadas.
O HVO, combustível renovável já utilizado em diversos mercados, é aprovado pela Cummins para uso em motores e grupos geradores a diesel, sem necessidade de ajustes, calibrações adicionais ou alterações nos planos de manutenção. No Brasil, porém, sua adoção ainda é limitada devido ao custo elevado, à oferta restrita, à dependência de insumos renováveis e a um ambiente regulatório em desenvolvimento.
Segundo Raphael Cunha Santos, supervisor de engenharia de projetos da Distribuidora Cummins Brasil (DCB), a tecnologia está pronta para avançar no país. Ele afirma que o projeto atual demonstra a capacidade da empresa de apoiar clientes interessados em reduzir as emissões de suas operações, com equipamentos e suporte técnico preparados para essa transição.
A Cummins destacou o tema durante a COP30, no ano passado, ao apresentar um estudo sobre a aceleração da adoção do HVO, desenvolvido em parceria com outras organizações. O relatório, intitulado “Mobilidade Rodoviária Sustentável”, avaliou o potencial do combustível para reduzir até 60% das emissões de CO₂ sem necessidade de adaptações, recebendo parecer favorável da equipe técnica da Secretaria da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC).
Para Thiago Martinelli, gerente de Power Systems da Distribuidora Cummins Brasil (DCB), a adoção do HVO ocorre em um momento de forte expansão do mercado brasileiro de data centers, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial e pela demanda crescente por serviços digitais críticos, como o armazenamento e o processamento de dados.
Segundo ele, o uso do HVO nos grupos geradores não altera as rotinas de operação ou de manutenção. O projeto será acompanhado pela estrutura de atendimento 24 horas da empresa, com monitoramento técnico e suporte ao cliente para garantir a estabilidade da operação durante a transição.
No contexto da estratégia global “Destino ao Zero”, a Cummins classifica o HVO como um combustível de transição, capaz de reduzir a pegada de carbono de motores e geradores já instalados sem necessidade de substituição ou reconfiguração dos sistemas. Martinelli afirma que a empresa está preparada para apoiar clientes interessados em avançar nesse processo, com tecnologia validada, suporte especializado e experiência internacional.
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