A ABES - Associação Brasileira das Empresas de Software - apresentou o estudo “Mercado Brasileiro de Software – Panorama e Tendências 2026”, baseado em dados da IDC, que indica que o setor de Tecnologia da Informação no Brasil segue em expansão, mas entra em uma fase de maior maturidade. O mercado atingiu 67,8 bilhões de dólares (350,8 bilhões de reais) em 2025, acima dos 58,6 bilhões de dólares (303,7 bilhões de reais) em 2024. Para 2026, porém, a projeção de crescimento é de 5,3%, ritmo inferior ao registrado em 2025 (18,5%) e abaixo da média global prevista (9,7%).

Segundo Jorge Sukarie Neto, conselheiro da ABES e responsável pelo estudo, o setor abandona um ciclo de forte aceleração impulsionado pela digitalização, pela adoção de nuvem e pelo avanço da inteligência artificial. Ele afirma que o novo momento é marcado por investimentos mais orientados à eficiência, à integração tecnológica e à racionalização de custos, com foco em escala, governança e retorno concreto.

O Brasil manteve a 10ª posição no ranking global de investimentos em TI, consolidando-se como o principal mercado emergente do setor. Na América Latina, ampliou sua liderança ao passar de 34,7% para 38,4% da participação regional. Segundo Fabio Martinelli, analista sênior da IDC LATAM, o país segue como o principal motor do mercado latino-americano, mesmo diante de um cenário mais desafiador para 2026.

Após impulsionar o crescimento em 2025, a inteligência artificial — especialmente a generativa — torna-se, em 2026, uma camada estrutural das operações digitais. O foco das empresas passa a ser a integração da IA aos processos de negócio, com impacto direto na eficiência e na tomada de decisão.

A demanda por infraestrutura permanece elevada, impulsionada pela necessidade de suportar aplicações de IA. Investimentos em cloud, data centers e redes de alta capacidade seguem em expansão, ao mesmo tempo em que cresce a adoção de outsourcing, serviços gerenciados e ambientes híbridos, em busca de flexibilidade e otimização de custos.

A segurança cibernética se fortalece como prioridade estratégica. Com a adoção de arquiteturas como Zero Trust e o uso de IA aplicada à proteção, o setor avança de um modelo reativo para uma gestão contínua de riscos, segundo Sukarie.

O estudo também mostra que o mercado brasileiro de TI permanece concentrado em hardware, que representa 47,9% dos investimentos, seguido por software (32,1%) e serviços (20%). Para Sukarie, o peso do hardware reflete o estágio de desenvolvimento do setor, mas também indica espaço para evolução, com tendência de maior relevância de software e serviços à medida que avançam a digitalização, a nuvem e os modelos gerenciados.

O estudo da ABES, em parceria com a IDC, aponta que o setor de TI no Brasil continua em expansão, mas entra em uma fase de maior maturidade. Após anos marcados pela aceleração da transformação digital e por investimentos robustos em infraestrutura, o mercado passa a priorizar eficiência, integração e geração de valor.

Os investimentos tornam-se mais seletivos e orientados a resultados, com foco em produtividade, otimização de custos e impacto direto nos negócios. A tecnologia assume papel estratégico, conectando operações, dados e processos decisórios.

Segundo Jorge Sukarie, o novo ciclo exige que as empresas extraiam valor concreto das iniciativas digitais. Ele afirma que a próxima etapa do mercado brasileiro será impulsionada por inteligência artificial, computação em nuvem e serviços, que definirão o novo ciclo de geração de valor no setor.