O mercado de data centers continua a se expandir. No que diz respeito à América Latina, o México é uma região em que o setor já está consolidado; algo semelhante ocorre no Chile, mas há diversos territórios com muito a explorar na área. No que diz respeito aos custos de construção de data centers, a Colômbia ganha terreno, com Bogotá afirmando-se como o mercado mais competitivo da América Latina, segundo o índice da Turner & Townsend. A capital colombiana registra um custo estimado de 7,49 dólares (39 reais) por watt instalado, abaixo do de outras cidades sul-americanas incluídas na análise, como Santiago e Montevidéu.

Esse dado coloca Bogotá em uma posição favorável para atrair novos investimentos em infraestrutura digital, em um momento em que a expansão da nuvem e, especialmente, das cargas de inteligência artificial impulsionam a demanda por capacidade de data centers na região.

O índice da Turner & Townsend analisa os custos de construção de instalações de data centers em diversos mercados internacionais e permite comparar o capital necessário para desenvolver nova capacidade. A consultora salienta que os custos continuam a ser condicionados por fatores como a disponibilidade de mão de obra especializada, as redes de suprimentos e os novos requisitos técnicos associados à IA.

Santiago representa outro dos mercados sul-americanos com maior potencial de crescimento. A capital chilena tornou-se um importante centro nevrálgico para operadores de data centers e fornecedores de serviços na nuvem, apoiada por sua conectividade internacional e pelo desenvolvimento da infraestrutura energética. A cidade também se beneficia de sua posição como porta de entrada para as rotas transpacíficas de telecomunicações.

Montevidéu, por sua vez, mantém uma posição estratégica como hub digital do Cone Sul. O Uruguai desenvolveu uma infraestrutura de telecomunicações avançada e dispõe de ligações internacionais que permitem ao país atuar como ponto de interligação para serviços digitais destinados ao mercado regional.

O mapa regional estende-se para além dos grandes centros

A expansão da infraestrutura digital também está alterando o mapa dos data centers da América Latina. São Paulo continua sendo o principal mercado regional em termos de escala, enquanto o México e o Chile estão atraindo uma parcela significativa do novo investimento. Bogotá, Querétaro e Santiago destacam-se entre os mercados com maior atividade e potencial de crescimento.

Na América Central, o Panamá e a Costa Rica mantêm igualmente uma posição relevante devido à sua conectividade internacional e à sua proximidade com as rotas de tráfego regionais. A combinação de cabos submarinos, redes de fibra terrestre e demanda empresarial está favorecendo o surgimento de novos hubs fora dos mercados tradicionais.

Essa diversificação também responde a uma necessidade das arquiteturas digitais atuais. Os data centers precisam estar conectados tanto aos grandes hubs de nuvem quanto aos usuários finais, à medida que as aplicações de IA aumentam o volume de tráfego entre diferentes instalações e regiões.

A energia será o próximo fator de competitividade

O baixo custo de construção pode proporcionar uma vantagem inicial, mas, por si só, não garante que uma cidade atraia grandes complexos de data centers. O principal fator determinante para o desenvolvimento de nova capacidade continua a ser o acesso à eletricidade.

A situação é especialmente relevante para as instalações dedicadas à inteligência artificial. Os sistemas de GPU exigem densidades de potência mais altas e aumentam as necessidades de refrigeração, o que torna a capacidade elétrica disponível cada vez mais determinante na escolha do local.

A Cushman & Wakefield identifica precisamente a disponibilidade e a capacidade de fornecimento de energia como dois dos principais fatores que condicionam o desenvolvimento mundial dos data centers.

Para a América Latina, isto abre uma nova fase de concorrência entre cidades. Bogotá parte com uma vantagem em termos de custos de construção; Santiago conta com uma posição consolidada como centro digital e de conectividade; Montevidéu oferece uma infraestrutura de telecomunicações desenvolvida e uma localização estratégica no Cone Sul; enquanto outros mercados, como São Paulo, Querétaro, Lima e Panamá, competem em termos de escala, conectividade, procura empresarial e disponibilidade energética.

*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria