Em coletiva de imprensa realizada no campus de Vinhedo (SP) na quarta-feira, 27 de maio, a Ascenty, joint venture entre Digital Realty e Brookfield Infrastructure e operadora de data centers da América Latina, anunciou seu plano de expansão: 1,2 bilhão de dólares (5,9 bilhões de reais) em novos investimentos a serem entregues nos próximos 18 meses, totalizando 150 MW de capacidade contratada. Os executivos Chris Torto (CEO), Marcos Siqueira (CRO e Head de Estratégia) e Werner Suffert (CFO) detalharam os projetos, os contratos já assinados e a estratégia de crescimento da empresa em um mercado global aquecido pela corrida à infraestrutura para inteligência artificial. A DCD esteve presente no evento e traz informações da expansão da empresa.
"Fechamos, em três meses, contratos que representam 40% de tudo o que fizemos em 15 anos", afirmou Torto, sinalizando a velocidade com que a demanda por capacidade computacional para IA está transformando o setor. O CEO contextualizou o intervalo entre as negociações e as assinaturas dos contratos: as negociações em si levaram entre 9 meses e 1 ano; os contratos formalizados em três meses são o resultado de um longo processo de preparação que inclui pré-investimentos em infraestrutura de energia e em terrenos.
O ciclo de investimentos é impulsionado por contratos recentes com grandes empresas globais de tecnologia, voltados a atender à demanda crescente por soluções de inteligência artificial e de computação em nuvem. A potência adicional prevista representa mais de 40% da capacidade instalada pela companhia ao longo de seus 15 anos de operação, indicando forte aceleração na procura por infraestrutura de alta densidade.
O primeiro novo data center será construído em Sumaré (SP), no campus que já abriga duas unidades, e será o primeiro da América Latina a ser projetado desde a origem para cargas de trabalho de IA em larga escala. A empresa também ergue sua terceira instalação em Vinhedo e desenvolve outros dois data centers no mesmo local. As novas estruturas são voltadas a clientes globais e incluem alta densidade de potência, sistemas de resfriamento líquido e capacidade avançada de processamento.
A Ascenty está construindo o Sumaré 3, um data center de nova geração projetado para suportar cargas de trabalho de inteligência artificial em larga escala. A unidade terá capacidade inicial de 90 MW, com possibilidade de expansão de mais 90 MW, e ocupará 48 mil m² em um campus já estruturado para futuras ampliações. As obras começaram em março de 2026, com entrega prevista para o terceiro trimestre de 2027. O projeto inclui resfriamento líquido direto no chip e um sistema de refrigeração em circuito fechado, que reduz ou elimina o consumo de água, além de infraestrutura preparada para altas densidades de potência. A construção deve gerar cerca de 600 empregos no pico das obras e 120 postos permanentes após a conclusão.
O campus de Vinhedo, em operação desde 2019, passa por um novo ciclo de expansão, incluindo a ampliação do Vinhedo 2, a construção do Vinhedo 3 e o desenvolvimento dos projetos Vinhedo 4 e 5. A capacidade do Vinhedo 2 será ampliada de 50 MW para 80 MW, enquanto o Vinhedo 3 adicionará 90 MW dedicados a cargas de trabalho de IA. Com as novas unidades, o campus contará com cinco data centers de grande porte, reforçando sua posição como hub de computação de alto desempenho.
Somados, os campi de Sumaré e Vinhedo formam um corredor digital de alta capacidade na região de Campinas, caracterizado por ampla oferta de energia, forte conectividade por fibra óptica e proximidade da demanda corporativa e de cloud da capital paulista.
A empresa também anunciou a construção de seu sexto data center na cidade de São Paulo, que acrescentará 20 MW de capacidade para atender clientes hiperescala e corporativos. Com isso, a Ascenty amplia sua estratégia de expansão em infraestrutura digital e em IA na América Latina. A companhia opera ou constrói 40 data centers no Brasil, Chile, México e Colômbia, conectados por uma rede própria de 4.000 km de fibra óptica. Suas operações são certificadas como carbono neutro e utilizam sistemas de resfriamento em circuito fechado, com WUE zero, combinando alta densidade computacional e eficiência energética.
Na coletiva, os executivos discutiram a política ambiental da empresa. 100% da energia consumida pela Ascenty provém de fontes renováveis, e a empresa atua como autoprodutora, gerando a própria energia que consome.
Para o Sumaré 3, a Ascenty construiu uma linha de transmissão de 32 quilômetros, partindo de uma subestação da CPFL em Santa Bárbara d'Oeste até o campus em Sumaré. O acesso à rede foi assegurado por meio de parecer de acesso da ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o que garante a disponibilidade de energia para os novos empreendimentos.
Outro diferencial destacado pelos executivos é o consumo de água praticamente nulo. Os data centers da Ascenty utilizam um circuito fechado de líquido refrigerante, uma combinação de água e aditivos, que não precisa ser reposta. O volume inserido na partida do sistema é o mesmo que opera indefinidamente. Como comparativo, o campus de Vinhedo consumiu, em 2025, o equivalente ao consumo de nove residências com quatro moradores, exclusivamente para banheiros e bebedouros dos colaboradores que trabalham 24 horas por dia no local.
A concentração dos novos projetos na Região Metropolitana de Campinas (Sumaré, Vinhedo, Jundiaí e Osasco) é estratégica. O CEO Chris Torto, norte-americano e há 40 anos no país, resumiu: "São Paulo representa 40% do PIB do Brasil hoje, como representava quando cheguei. Ninguém aguenta ficar na capital, mas ninguém quer ficar longe."
Os executivos elencaram as vantagens competitivas do país para o setor: matriz energética predominantemente renovável; superávit de geração (o Brasil produz mais energia do que consome); custo de energia equivalente a um terço do praticado nos Estados Unidos; múltiplos cabos submarinos de fibra ótica chegando ao litoral; mercado doméstico de 220 milhões de pessoas. Questionado sobre a possibilidade do Paraguai competir com o Brasil, Torto foi categórico: "Não acho factível. O Paraguai tem cerca de 1,2 GW de energia disponível. Eu tenho dezenas de gigawatts potenciais no Brasil. Não tem cabo submarino chegando ao Paraguai; não tem mercado doméstico relevante para exportar dados. Projetos existem aos montes, mas faltam contratos e clientes."
Os números do anúncio
- US$ 1,2 bilhão — investimento total da Ascenty nos próximos 18 meses
- 150 MW — capacidade já contratada para entrega até o final de 2027
- 60 MW — capacidade do Sumaré 3 para IA (90 MW de capacidade total instalada)
- 60 kW a 1 MW por rack — densidade elétrica dos data centers de IA (vs. 8 kW/rack nos data centers cloud)
- 1,45 — PUE (Power Usage Effectiveness) projetado para os novos data centers
- 40 data centers — portfólio total projetado (vs. 26 em operação hoje: 21 no Brasil, 3 no Chile, 2 no México)
- 100% — energia de fonte renovável, com autoprodução
- US$ 5 bilhões — investimento estimado dos clientes em equipamentos (GPUs) nos data centers anunciados
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