O setor brasileiro de data centers caminha para registrar, em 2026, seu ano mais expressivo em entregas, segundo o relatório Data Center Brasil 2026, elaborado pela JLL. De acordo com o levantamento, o mercado já recebeu 106 MW de nova capacidade no primeiro semestre do ano, e a expectativa é de que outros 134 MW sejam entregues até dezembro, totalizando um investimento estimado em cerca de 8 bilhões de dólares (41,6 bilhões de reais). O estudo destaca ainda que a taxa de vacância nacional está em 4%, patamar considerado indicativo de uma demanda aquecida pelo segmento.
O relatório aponta que o setor vem crescendo a uma taxa média de 15% ao ano e que, desde 2012, multiplicou seu tamanho 6 vezes. Bruno Porto, gerente de Industrial, Logística e Data Center da JLL, afirmou que 56% do novo estoque em construção já está pré-locado, o que, segundo ele, evidencia o potencial de absorção do mercado.
Segundo o estudo, São Paulo permanece como o principal hub do país e da América Latina, concentrando 38% da capacidade instalada em megawatts no Brasil, com destaque para as regiões de Capital/Barueri e Campinas, que devem continuar atraindo novos empreendimentos nos próximos anos. Rafael Picerni, analista de Pesquisa e Estratégia da JLL e responsável pelo estudo, explicou que o mapeamento da consultoria indica um crescimento de 82,5% em Capital/Barueri e de 60,9% em Campinas até 2028, o que, na avaliação do analista, reforça a relevância dessas praças para o setor no país.
O levantamento também identifica Fortaleza como um polo emergente, com 227 MW em construção, dos quais a maior parte já foi pré-locada a uma grande empresa de tecnologia chinesa. De acordo com a JLL, esse volume representa um crescimento de 1.179,7% no mercado cearense.
Com base nas projeções da consultoria, o setor deve dobrar de tamanho até 2030, somando 660 MW atualmente em construção e um investimento estimado em 17,4 bilhões de dólares (90,4 bilhões de reais). Além disso, o relatório indica um pipeline adicional de 4.621 MW. Ao comentar os resultados, Porto afirmou que players nacionais e internacionais têm investido de forma crescente em data centers no Brasil, impulsionados pela combinação entre oferta de energia limpa e barata e um grande mercado consumidor interno, fatores que atraem investidores voltados a atender empresas em expansão global. Segundo ele, o amadurecimento do ambiente regulatório e o fortalecimento da infraestrutura do país também têm contribuído para consolidar esse cenário de crescimento.
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