A Microsoft expandiu sua oferta de nuvem soberana para implementações em nuvem pública e privada.

Em publicação no blog, a empresa destacou o lançamento de várias ferramentas, incluindo um Painel de Controle Soberano, que agora está em pré-visualização pública e permite às organizações avaliar e controlar onde as cargas de trabalho são executadas e se os requisitos de soberania são cumpridos, tudo a partir de um único portal.

Microsoft Azure
– Sebastian Moss/DatacenterDynamics

Ao comentar o lançamento de novas ferramentas, o CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou no Microsoft AI Tour, realizado em Londres na semana passada: "Uma das melhores formas de gerir o risco é adotar uma abordagem de portfólio. Assim, tem-se uma nuvem pública com controles soberanos. Tem uma nuvem privada e, em alguns casos, também tem nuvens do ecossistema de parceiros que são construídas a nível nacional. E é esta combinação que lhe dará a escolha, os controlos e a resiliência".

Acrescentou ainda que, entre os novos recursos lançados, estão as "salas limpas", que permitem aos usuários "detectar qualquer adulteração de registos durante o processo administrativo; e, portanto, essas são todas as capacidades que estamos integrando em nossa nuvem soberana e nos controles soberanos na nuvem pública, além de proporcionar operações totalmente desconectadas de sua nuvem privada".

A Microsoft Sovereign Private Cloud foi lançada em 2025 e baseia-se na oferta Azure Local, na qual o hardware é implementado em data centers do cliente ou de terceiros.

Entre as novas ferramentas que estarão disponíveis está o Foundry Local, que estará disponível ao público em novembro no Azure Local e dará aos usuários acesso a modelos de IA, incluindo os da Microsoft, de parceiros, de código aberto e de peso aberto. A empresa salienta que "a inferência local e a recuperação agênica também permitirão aos usuários interagir com dados empresariais locais utilizando linguagem natural e receber respostas baseadas nesses dados".

Além disso, foram lançadas máquinas virtuais confidenciais no Azure Local, trazendo capacidades de computação confidencial para a infraestrutura controlada pelo cliente.

A publicação no blog da Microsoft afirma: "A memória criptografada por hardware e o isolamento baseado em hardware ajudam a proteger os dados sensíveis enquanto são processados. A certificação de cargas de trabalho acrescenta garantias antes que os dados sensíveis ou as chaves sejam divulgados. Para cargas de trabalho regulamentadas, sensíveis e críticas, estas salvaguardas proporcionam mais uma camada de proteção, ao mesmo tempo em que conferem às organizações maior controle sobre o local onde seus dados e aplicações são executados".

Outra novidade é que o Azure Local passará a suportar a multilocação, permitindo que as organizações separem recursos, governança e gestão entre vários locatários, ao mesmo tempo que partilham a infraestrutura subjacente.

De um modo geral, a Microsoft afirma, na publicação no blog, que "a Microsoft Sovereign Cloud foi concebida para facilitar às organizações a aplicação do nível adequado de controle a cada carga de trabalho, sem obrigar todas as aplicações a seguir o mesmo modelo de implementação".

O lançamento destes novos modelos de soberania ocorreu aproximadamente no mesmo momento em que a Autoridade da Concorrência e dos Mercados (CMA) do Reino Unido concluiu a investigação sobre a empresa e decidiu que a Microsoft cumpre os requisitos legais para a designação de «estatuto de mercado estratégico" (SMS).

A decisão foi tomada pela CMA por considerar ser um poder de mercado significativo da Microsoft no setor da computação em nuvem, incluindo uma dependência significativa do seu software empresarial, e sugere que isto cria obstáculos à mudança de fornecedores ou ao surgimento de novos concorrentes.

Está aberto um período de consulta até 13 de novembro.

*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria