A América Latina avança rumo a um ponto de mudança na digitalização do setor da construção. Tecnologias como a inteligência artificial, os gêmeos digitais e a coleta de dados em tempo real deixaram de ser ferramentas diferenciadoras para se tornarem elementos estruturais na execução de projetos cada vez mais complexos e exigentes.
Nesse contexto, Guilherme Lombardo, Diretor Associado e líder de soluções digitais na Turner & Townsend, frisa que o principal desafio para a região não reside apenas na adoção de novas tecnologias, mas na consolidação de modelos de gestão baseados em dados confiáveis e na capacidade de antecipar cenários. A transição para decisões preditivas marcará a diferença em termos de eficiência, coordenação e rentabilidade.
Fosso entre a obra e o escritório
Um dos principais gargalos continua a ser a desconexão entre o trabalho no terreno e a gestão no escritório. A integração de dados em tempo real — por meio de drones, sensores e plataformas móveis — permite reduzir a incerteza e aprimorar a rastreabilidade de variáveis cruciais, como custos, prazos e qualidade. No entanto, o verdadeiro salto qualitativo passa por abandonar os modelos baseados em relatórios retrospectivos e evoluir para ambientes de gestão contínua sustentados em dados.
IA como facilitador estratégico
Paralelamente, a inteligência artificial consolida-se como um facilitador estratégico para o planejamento e o controle de projetos. Sua adoção na América Latina cresce progressivamente, embora condicionada pela necessidade de melhorar a qualidade dos dados e reforçar a formação técnica. Neste cenário, a IA não substitui o critério profissional, mas amplifica-o, permitindo antecipar riscos, otimizar cronogramas e melhorar a tomada de decisões.
Gêmeos digitais: do modelo ao ativo inteligente
Outra das alavancas essenciais é a evolução dos gêmeos digitais, que passam de modelos estáticos para plataformas dinâmicas com capacidades de análise preditiva. Países como o Brasil, o México, o Chile e a Colômbia já registram avanços significativos em sua implementação, com impactos diretos na previsibilidade dos projetos e no controle de custos. O próximo passo será sua integração com tecnologias como IoT, BIM 5D e análise avançada, possibilitando a gestão inteligente de ativos ao longo de todo o seu ciclo de vida.
Da teoria à prática
A aplicação prática dessas tecnologias já se concretiza em soluções como o QuanTTum, que combinam digitalizações LiDAR com modelos digitais para detectar desvios em tempo real. Esse tipo de ferramenta permite agir de forma proativa nos projetos, reduzindo desvios e otimizando tanto os custos quanto os prazos de execução.
Uma mudança estrutural
De olho em 2026, o setor da construção na América Latina será definido pela capacidade de integrar dados, automatizar processos e antecipar riscos. Para além da tecnologia, a verdadeira mudança será cultural: as organizações que adotarem modelos baseados na transparência, na gestão avançada de riscos e na tomada de decisões apoiada em dados estarão melhor posicionadas num mercado cada vez mais competitivo e digitalizado.
*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria
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