Eder Gallardo
– Uptime Institute

O DCD>Connect São Paulo retorna ao Brasil para a sua segunda edição, nos próximos 7 e 8 de novembro, no Sheraton São Paulo WTC Hotel.

O evento reunirá a mais de 800 executivos da cadeia de fornecimento e design de Data Centers. Eder Gallardo, Global AOS & AOP Course Lead no Uptime Institute, participará do debate "Repatriação das nuvens públicas: Tendência ou falácia?", às 17:15 horas no dia 7.

DCD conversou com Gallardo sobre a temática.

Quais são os principais impulsionadores por trás da decisão de repatriação das nuvens públicas para instalações locais ou de colocation?

Com o aumento da demanda por serviços cada vez maior e com a característica de consumo diferenciada por aplicações exponencialmente mais consumidoras de processamento, vimos uma mudança rápida de cenário e assim, a avaliação do mercado sobre a manutenção dos seus dados e, portanto, a contratação e opção por manter toda a sua base de dados na nuvem passou a ser vista com outros olhos, já que fatores como segurança e a resiliência, na pluralidade de soluções de entrega, passaram a ser importantes neste novo jeito de consumir.

Já sabíamos que o mercado demandaria este patamar de consumo, eu pessoalmente não acreditava no falecimento das infraestruturas locais ou de colocation e na adoção “full-cloud”, ou seja, com operação totalmente independente de um data center, mas muitos acreditavam que chegaríamos a este cenário. Creio que os principais impulsionadores são a demanda e, consequentemente, a qualidade de entrega destes serviços de aplicações, que exige a segurança, promovida pela resiliência, que será conquistada na pluralidade de soluções, ou seja, na solução híbrida.

Quais setores ou tipos de organizações estão mais propensos a optar pela repatriação de nuvens públicas, e por quê?

Os setores de prestação de serviços que entregam disponibilidade de alta performance terão que buscar soluções de altos níveis de SLA – Service Level Agreement. Como dito anteriormente, esta tendência é, na minha opinião, geral no segmento de data centers, abrangendo toda a gama de organizações que possuem algum tipo de dados críticos e, principalmente, as prestadoras de serviços de colocation, telecomunicações e dos segmentos financeiros e bancários. Pela minha experiência, estes são setores sempre muito ligados à prestação de serviços de alta performance e cada vez mais preocupados com a resiliência, o que traz de novo o impulsionamento às soluções híbridas e então a propensão pela repatriação das nuvens públicas.

De que maneira a repatriação de dados, cargas de trabalho e aplicativos afeta a estratégia geral de TI das organizações?

Sempre que falamos de repatriação de dados, trazemos para o nosso ambiente a responsabilidade da administração, manutenção, segurança e os custos operacionais destes dados, bem como a necessidade do tratamento adequado de todo e qualquer evento, planejado ou não, além da monitoração 24x7, tanto da infraestrutura física como do processamento dos dados.

Baseado nesta repatriação, passamos a adotar novamente toda esta carga de trabalho e os profissionais associados a estes papéis e responsabilidades deverão, a nível organizacional e, a nível de terceirizações, ter a clareza necessária e o compromisso para que se entregue a qualidade e a disponibilidade esperada pelo serviço. Este é o desafio na estratégia geral de TI da organização que, ao migrar para uma infraestrutura local e, ao adotar uma estrutura de operações híbrida, a sua estratégia geral de TI deverá adequar-se, de maneira a ser transparente ao usuário final.

Quais são os desafios técnicos e de segurança específicos associados ao processo de repatriação de dados de nuvens públicas?

Como mencionado anteriormente, assume-se a parcela de responsabilidade de entrega e traz-se parte da responsabilidade da administração dos dados para dentro de casa. Este é o desafio, pois o tratamento das ocorrências não programadas, ou seja, dos problemas que possam ocorrer nas estruturas híbridas, exigirá grande colaboração entre as organizações envolvidas na prestação dos serviços. Além disso, o desafio também está na qualidade da entrega destes serviços e na robustez, que significa promover segurança em termos de privacidade de dados e capilaridade, ou seja, a disponibilidade lógica e física que um data center de alta performance deve oferecer.

Em resumo, o que antes podia-se cobrar 100% de terceiros (dependendo da solução), agora, também serão corresponsáveis, devendo trabalhar em conjunto nas soluções, já que ao repatriar dados, passa a ser uma solução híbrida.

O desafio técnico ocorrerá, tanto na implantação, quanto na operação e manutenção destes serviços, porém, ainda assim, os benefícios na resiliência e segurança das redes híbridas são sem dúvida muito atraentes nos seus resultados.