O setor de data centers no Brasil vive o maior ciclo de expansão da sua história. Os investimentos previstos até 2030 já superam 200 bilhões de reais, segundo a Câmara de Comércio Brasil-Canadá, podendo chegar a cifras ainda mais elevadas. Hoje, o país concentra cerca de 71% das estruturas em construção na América Latina e já responde por mais de 60% da capacidade instalada da região.

E eu acredito que os maiores desafios estão justamente nesse parque já instalado e em produção, que, ao mesmo tempo em que segue em expansão, também enfrenta ameaças cada vez mais sofisticadas, tanto no ambiente físico quanto no cibernético. São essas instalações que hoje são colocadas à prova diariamente.

Muito se fala sobre os novos investimentos e as grandes estruturas que ficarão prontas nos próximos anos. Mas é importante também olhar para as operações que já existem e precisam, desde já, iniciar sua jornada de modernização. Caso contrário, o setor corre o risco de acumular defasagens justamente quando a demanda por capacidade, disponibilidade e proteção se torna ainda maior.

É nesse ambiente “em produção” que a capacidade de adaptação, expansão e continuidade é realmente validada. Por isso, não apenas os novos projetos merecem atenção. As operações existentes também demandam sistemas capazes de acompanhar essa evolução de forma contínua.

E, com este enquadramento, a segurança das operações, das pessoas e do patrimônio deixa de ser uma área de suporte para assumir um papel estratégico.

Ao analisar o cenário atual, posso afirmar que a segurança física precisa evoluir. E, na minha visão, uma operação preparada para o futuro precisa considerar alguns pilares essenciais:

  • Abertura tecnológica: sistemas abertos permitem integrar novas tecnologias e diferentes fabricantes ao longo do tempo, garantindo flexibilidade e evitando dependência excessiva de um único fornecedor.
  • Base de dados robusta e estruturada: informações provenientes de controle de acesso, videomonitoramento, sensores e alarmes precisam atuar de forma integrada para apoiar auditorias, investigações, conformidade regulatória e a tomada de decisões mais rápidas e assertivas.
  • Presença local e continuidade dos investimentos no Brasil: em operações críticas, não basta oferecer tecnologia. É fundamental garantir suporte, estrutura e compromisso de longo prazo com o mercado brasileiro.
  • Transparência comercial e previsibilidade: modelos claros, sem custos ocultos ou dependências inesperadas, são essenciais para garantir a segurança financeira e a sustentabilidade da operação ao longo do tempo.

Outro ponto central é a necessidade de uma atuação cada vez mais integrada entre segurança física, TI, Cybersegurança, Compliance, Jurídico e Recursos Humanos. A proteção das pessoas e do patrimônio também gera dados valiosos para auditorias, investigações e conformidade regulatórias.

Além disso, a convergência entre segurança física e cibernética já é uma realidade. Segundo a Verizon, 68% dos incidentes envolvem o fator humano, dos quais 31% são relacionados a credenciais comprometidas. Já a IBM aponta que 10% dos casos têm origem em acessos físicos indevidos. Dispositivos conectados, como câmeras IP, também vêm sendo explorados em atividades maliciosas, o que mostra que as vulnerabilidades transitam constantemente entre o físico e o digital.

Esses dados mostram que não há mais separação entre esses dois mundos — algo que presencio diariamente.

Apesar disso, muitas operações ainda lidam com sistemas fragmentados, como controle de acesso, videomonitoramento e alarmes desconectados entre si. Na prática, essa abordagem limita a visibilidade, atrasa as respostas e dificulta as auditorias.

A adoção de uma plataforma unificada ajuda a mudar esse cenário. Ao integrar diferentes tecnologias em tempo real, torna-se possível correlacionar eventos, automatizar respostas e aumentar a eficiência operacional. Um alerta de perímetro, por exemplo, pode ser automaticamente associado a imagens, credenciais e ao histórico, permitindo uma atuação mais rápida e assertiva.

Além de integrar, é preciso garantir que essa base seja robusta, escalável e preparada para evoluir. A plataforma deve suportar múltiplas tecnologias, de analíticos com IA a biometria e sensores, garantindo integrações responsáveis, sustentáveis e preparadas para o longo prazo.

Por fim, acredito que a modernização da segurança deve ser encarada como uma jornada contínua. A evolução pode ocorrer em fases, priorizando as vulnerabilidades e avançando gradualmente para um ambiente mais integrado, inteligente e resiliente.

Em um setor que sustenta a infraestrutura digital do país, preparar a segurança física para o futuro deixou de ser apenas uma decisão tecnológica. Hoje, é uma decisão estratégica de negócio.