A migração de cargas de trabalho para a nuvem pode beneficiar uma ampla variedade de aplicações, especialmente aquelas que requerem escalabilidade rápida ou flexibilidade na capacidade de processamento. No entanto, esse processo não é uniforme para todas as organizações, pois envolve superar desafios específicos de acordo com o tipo de empresa ou setor.

Entre esses desafios está a necessidade de estabelecer políticas claras de controle sobre o uso de recursos na nuvem, garantir uma infraestrutura de telecomunicações adequada e alinhar-se aos requisitos de negócio, segurança e governança. As empresas também precisam considerar as preocupações relacionadas à segurança dos dados, que podem ser mais complexas na nuvem devido à dinâmica de alocação de recursos. Para mitigar esses riscos, é fundamental contar com um modelo de governança sólido, apoiado por ferramentas e equipes capacitadas.

À medida que as organizações avançam para um ambiente cada vez mais digital, torna-se essencial avaliar suas necessidades específicas de negócio e escolher o modelo de nuvem que melhor se adapta aos seus objetivos estratégicos. Gustavo Bastos, VP de Plataformas e TI da TOTVS, destacou a importância de um bom planejamento, que pode impactar significativamente os resultados operacionais e financeiros das empresas, durante o DCD>Debate: Separando o joio do trigo - toda carga de trabalho pode ir para a nuvem?, realizado no DCD>Connect São Paulo. Nesta entrevista à DCD, reunimos alguns de seus comentários.

Quais tipos de cargas de trabalho você considera que se beneficiam mais da migração para a nuvem e por quê?

A priori, qualquer tipo de carga de trabalho pode ser utilizada em nuvem. O ponto central é entender qual é a finalidade daquela carga de trabalho e se ela tem alguma característica particular que seria ou privilegiada (por exemplo uma carga de trabalho que pode precisar de uma capacidade rápida de escalar ou expandir capacidade) ou prejudicada (uma carga de trabalho que precisa funcionar sob condições muito limitadas de infraestrutura de telecomunicações) por estar em nuvem.

Quais são os principais desafios e obstáculos que as empresas costumam enfrentar ao migrar suas cargas de trabalho para a nuvem? Como esses desafios variam de acordo com o tipo de empresa ou setor?

A agenda de migrar para a nuvem envolve uma série de aspectos técnicos e de aderência ao negócio, mas de forma mais genérica, desafios podem estar relacionados a:

  • definir políticas e controles para o uso adequado dos recursos em nuvem, especialmente considerando que em geral estes são todos tarifados por uso e que podem ter baixas restrições em termos de alocação, o que pode gerar custos inesperados e desnecessários.
  • ter clareza sobre a infraestrutura de telecomunicações que estará disponível para consumo destes recursos e garantir que ela seja suficiente para atender aos requisitos de disponibilidade dos serviços.
  • avaliar detalhadamente os requisitos de negócios associados às cargas de trabalho que se pretende migrar, o que poderá ensejar necessidades específicas de recursos, tanto do ponto de vista tecnológico quanto de processos (governança, segurança, modo de operação, regulamentações setoriais, entre outros).

Quais são as preocupações mais comuns em relação à segurança dos dados quando se trata de cargas de trabalho na nuvem? Quais estratégias as empresas podem adotar para mitigar riscos?

Da mesma forma como ocorre numa instalação própria, as preocupações relacionadas à segurança estarão também presentes nos ambientes gerenciados em nuvem. Porém, em termos de complexidade, especialmente no que diz respeito à clareza da “superfície” a ser gerenciada, pode se tornar um desafio maior - considerando a possibilidade de uma dinâmica muito mais acelerada de alocação de recursos.

A principal abordagem para mitigar este tipo de desafio é ter um modelo de governança claro, amparado por um time capacitado e por ferramentas que apoiem na manutenção dos critérios definidos nas políticas estabelecidas, visando evitar os riscos associados a falhas de segurança, indisponibilidade de serviços, vazamentos de informações ou quaisquer eventos indesejados.

Considerando as tendências atuais e futuras em tecnologia e nuvem, quais conselhos você daria às empresas que estão avaliando a possibilidade de migrar suas cargas de trabalho? Que aspectos devem ser priorizados para garantir uma transição bem-sucedida?

A principal recomendação que eu procuro praticar é de fato entender a necessidade de negócio associada àquela carga de trabalho para que se faça a escolha mais adequada: manter numa infraestrutura própria, escolher uma nuvem pública, escolher uma nuvem de propósito específico (que seria um caminho do meio entre a nuvem pública e a privada).

As empresas, o mercado e a experiência das pessoas estão cada vez mais digitais e, portanto, a dependência do conjunto de assets tecnológicos que viabilizam isso será cada vez mais significativa - seja para disponibilizar acesso a qualquer tempo e em qualquer lugar, seja para emplacar uma estratégia baseada em dados ou para obter os benefícios da aplicação de inteligência artificial.

Para cada um dos casos, as empresas precisarão definir a forma como abordarão estes temas e que tipo de arquitetura melhor responderá a essas necessidades, contando com times e parceiros que ajudarão a desenvolver cada uma dessas jornadas de maneira abrangente, performática, disponível e segura.

Essas escolhas poderão impactar diretamente os resultados tanto operacionais quanto financeiros, positiva ou negativamente, representando fatores críticos de sucesso para as companhias.