O aumento da participação do biodiesel no diesel comercializado no Brasil exige atenção às condições de armazenamento. Entre os principais desafios está a contaminação microbiológica, que pode comprometer a qualidade do combustível, favorecer a formação de borras e depósitos e afetar a integridade dos tanques e a confiabilidade operacional dos sistemas de abastecimento.

Por que o biodiesel é mais suscetível à contaminação microbiológica?

O diesel mineral é composto predominantemente por hidrocarbonetos, enquanto o biodiesel contém principalmente ésteres de ácidos graxos. O biodiesel apresenta maior afinidade pela água, maior biodegradabilidade e menor estabilidade oxidativa, características que podem favorecer sua deterioração durante o armazenamento.

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A presença de água livre no fundo dos tanques é um dos principais fatores de risco. A interface entre água e combustível cria condições favoráveis à proliferação de microrganismos, que podem utilizar componentes do combustível como fonte de nutrientes e formar biomassa e biofilmes.

Como ocorre a contaminação?

Os microrganismos podem entrar nos tanques durante o recebimento do diesel ou por meio de água, ar, equipamentos e resíduos contaminados. Entre os organismos encontrados estão bactérias, fungos filamentosos e leveduras.

Bactérias podem se multiplicar na fase aquosa, formar biofilmes nas superfícies internas e contribuir para processos de corrosão microbiologicamente influenciada (MIC). Fungos e leveduras também participam da deterioração, produzindo biomassa e consumindo compostos orgânicos. Algumas bactérias, como as redutoras de sulfato, podem se desenvolver em ambientes com pouco oxigênio e agravar problemas de corrosão.

Principais problemas causados pela contaminação

A atividade microbiológica pode provocar consequências operacionais e econômicas significativas:

  • Formação de borras e sedimentos: células, biofilmes e resíduos se acumulam no fundo dos tanques, e podem ser arrastados durante o abastecimento.
  • Obstrução de filtros e tubulações: a biomassa restringe a passagem do diesel, aumentando a frequência de manutenção e o risco de interrupções.
  • Corrosão: determinados microrganismos e seus metabólitos podem acelerar a deterioração de componentes metálicos.
  • Degradação do combustível: processos microbiológicos e de envelhecimento alteram propriedades físico-químicas e prejudicam a estabilidade do diesel. Avaliações de diesel envelhecido realizadas por Ressonância Magnética Nuclear (RMN) indicaram alterações relacionadas a compostos oxigenados, como ésteres. Como esses compostos já estão presentes no biodiesel, sua eventual formação durante o armazenamento requer interpretação comparativa.
  • Custos adicionais: limpeza corretiva, substituição de filtros, reparos e possível descarte de combustível fora de especificação.

Em aplicações críticas, como geradores de emergência de data centers, essas ocorrências podem ameaçar a disponibilidade do sistema de energia de backup justamente quando ele é necessário.

Como estabelecer um controle microbiológico efetivo?

O controle deve reunir prevenção, monitoramento e ações corretivas. A primeira medida é reduzir a presença de água livre, com inspeções e drenagens periódicas, investigação de entradas de umidade e verificação das condições de recebimento e armazenamento do diesel.

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A limpeza programada deve considerar o histórico de contaminação, o tempo de armazenamento, a rotatividade do combustível e o acúmulo de sedimentos. Remover fisicamente borras e biofilmes é importante porque esses materiais podem abrigar microrganismos e favorecer a recontaminação.

A aplicação tecnicamente adequada de biocidas é parte fundamental e deve integrar o programa de controle microbiológico, sobretudo em sistemas com longos períodos de armazenamento ou histórico de contaminação. Produtos específicos para combustíveis, como o KATHON® FUEL 15, da LANXESS, contribui para controle microbiológico quando empregado de acordo com as recomendações técnicas.

A escolha do produto deve considerar eficácia, compatibilidade e estabilidade no combustível, sem comprometer seus parâmetros de qualidade. A dosagem e a frequência de aplicação dependem das condições de cada sistema, podendo fazer parte tanto de programas preventivos quanto de tratamentos corretivos. O biocida não substitui o manejo da água, a limpeza e o monitoramento.

Conclusão

Com a maior participação de biodiesel, preservar a qualidade do diesel armazenado exige uma abordagem integrada. Investir em prevenção e controle microbiológico reduz borras, obstruções, corrosão e custos de manutenção, além de proteger os equipamentos. Em operações críticas, mais do que uma medida corretiva, ele deve fazer parte da estratégia de confiabilidade e continuidade operacional.