A Zoho fechou o primeiro semestre de 2026 com alta de 31,4% na receita no Brasil, em comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado colocou o país como o terceiro mercado com maior crescimento de receita entre as operações globais da empresa. Já na captação de receita de novos usuários, o Brasil ficou na oitava posição no ranking mundial da companhia.
Fundada há 30 anos, a Zoho é especializada em software como serviço (SaaS) e soma receita anual global de cerca de 1 bilhão de dólares (5,2 bilhões de reais), com valor de mercado estimado em cerca de 12,5 bilhões de dólares (65 bilhões de reais).
Segundo Rodrigo Vaca, CEO da Zoho no Brasil, o desempenho reflete não apenas o crescimento da demanda por tecnologia no país, mas também uma mudança na forma como as empresas brasileiras avaliam a adoção de software. O executivo afirmou que o Brasil deixou de ser tratado como uma replicação de uma estratégia global e passou a exigir investimentos e planejamento de longo prazo específicos, resultado da combinação entre a maturidade das empresas locais e a capacidade da companhia de adaptar sua oferta às necessidades do mercado.
O momento é marcado pela disseminação da inteligência artificial generativa, que tem levado empresas a rever seus investimentos em software e aumentado a pressão por produtividade, integração de sistemas e retorno sobre os investimentos em tecnologia. Para a Zoho, a IA deve acelerar essa transformação, mas não deve substituir as plataformas de software já existentes.
A companhia tem incorporado recursos de inteligência artificial ao portfólio e desenvolvido modelos próprios, incluindo modelos de linguagem de menor porte (SLMs), voltados a aplicações específicas. Vaca comparou o momento atual a transformações anteriores provocadas pelo smartphone e pelas lojas de aplicativos, afirmando que o desafio não é inserir IA em todos os produtos, mas identificar onde a tecnologia efetivamente gera valor, reduz complexidade e apoia decisões.
A Zoho trata a operação brasileira de forma diferenciada na América Latina, com presença própria e estrutura local em expansão. Já em 2024, Vaca classificava o Brasil como região estratégica e independente na estrutura da companhia, ainda que a empresa atendesse apenas uma pequena parcela do universo potencial de clientes no país. O crescimento registrado no primeiro semestre de 2026 colocou o Brasil entre os principais mercados de expansão da Zoho no mundo.
Segundo o executivo, o país reúne porte, sofisticação e diversidade que abrem oportunidades tanto para pequenas e médias empresas quanto para grandes corporações, e o desafio continua sendo consolidar a confiança e demonstrar que a tecnologia não precisa significar complexidade. A estratégia da companhia se apoia em uma plataforma integrada que reúne diferentes aplicações de negócio em um único ecossistema e permite que os clientes ampliem gradualmente a adoção de soluções.
A entrada da inteligência artificial também tem alterado o processo de decisão dos CIOs e dos executivos de negócios. Nesse contexto, a Zoho oferece a Zia, plataforma própria de IA integrada às aplicações do ecossistema da companhia, concebida para utilizar o contexto e os dados disponíveis nas empresas como apoio a tarefas, análises e decisões. Apesar de deter tecnologia própria, a companhia afirma não se posicionar como fornecedora de IA, mas incorporar o recurso como camada adicional às soluções já oferecidas, sem transformá-lo em produto isolado para comercialização.
A empresa descreve essa abordagem como IA contextual — conceito segundo o qual quanto maior o acesso da inteligência artificial ao contexto do negócio, mais relevante tende a ser sua aplicação. Para Vaca, a tecnologia não elimina a necessidade de conhecimento sobre o negócio; ao contrário, reforça a importância de entender o contexto em que é aplicada. A companhia afirma ainda buscar integrar modelos de IA de fornecedores externos às suas aplicações, com o objetivo de oferecer mais flexibilidade aos clientes e evitar que a adoção da tecnologia fique restrita a um único provedor.
Com o resultado do primeiro semestre, a Zoho pretende acelerar a expansão no Brasil por meio da ampliação da base de clientes, do fortalecimento do relacionamento com parceiros e da consolidação da marca no mercado corporativo, com foco tanto em pequenas e médias empresas quanto em organizações de maior porte. Para estas últimas, a companhia adota uma estratégia de entrada gradual, começando por aplicações específicas e, em seguida, expandindo para outras áreas da organização.
Segundo Vaca, o desempenho do primeiro semestre confirma que a empresa está no caminho certo, mas ainda distante do potencial que o mercado brasileiro pode representar para a companhia globalmente. O executivo afirmou que o foco agora é transformar esse potencial em crescimento sustentável, mantendo a proximidade com os clientes e aprofundando a compreensão das particularidades do mercado brasileiro.
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