A V.tal obteve aprovação de seus acionistas, em assembleia geral extraordinária realizada na sexta-feira (23), para conduzir uma reorganização societária envolvendo subsidiárias não operacionais no exterior e promover aumentos de capital na Globenet, braço de cabos submarinos do grupo, e em três empresas que compõem a Tecto Data Centers, sua unidade de data centers. As informações foram divulgadas pelo site Teletime.
De acordo com as deliberações, os acionistas autorizaram a V.tal a adquirir entidades não operacionais sediadas nas Ilhas Cayman e no estado de Delaware, nos Estados Unidos. Também foi aprovada a proposta de alterar os contratos sociais dessas sociedades e transferir suas quotas para a TectoDigital II, uma das empresas que integram a operação da Tecto.
A TectoDigital II já havia sido alvo de uma capitalização relevante no ano passado. Em outubro de 2025, a V.tal aprovou um aumento de capital de R$ 1,09 bilhão na sociedade de propósito específico, elevando seu capital social de R$ 86 milhões para R$ 1,176 bilhão. Na ocasião, a Oi, acionista minoritária da V.tal, absteve-se de votar, alegando insuficiência de informações para embasar a deliberação.
Na assembleia, os acionistas aprovaram, ainda, o aumento do capital social da Globenet em até R$ 110,073 milhões, por meio da emissão de novas ações ordinárias, nominativas e sem valor nominal, ao preço de emissão de R$ 1 por ação. Segundo a companhia, a V.tal comprometeu-se a subscrever integralmente o aumento no prazo de até seis meses.
A empresa informou também que a razão social da subsidiária passará de Globenet Cabos Submarinos Participações S.A. para Globenet Cabos Submarinos Brasil S.A.
A Globenet está na origem da atual V.tal, formada após o BTG Pactual combinar a operadora atacadista de cabos submarinos com os ativos de infraestrutura de fibra óptica da Oi. A rede submarina do grupo soma cerca de 26 mil quilômetros e interliga o Brasil à Argentina, Venezuela, Colômbia, Estados Unidos e Bermudas, incluindo o cabo Malbec, entre Brasil e Argentina. A companhia já sinalizou ao mercado a intenção de lançar novos cabos submarinos na América Latina.
No caso da Tecto, os acionistas autorizaram o aumento do capital social da Tecto I e da Tecto II em até R$ 277 milhões cada, mediante a emissão de novas ações com valor nominal de R$ 1 por papel. Conforme a V.tal, os aumentos serão integralmente subscritos e integralizados pela própria companhia de infraestrutura neutra no prazo de 24 meses.
Para a Tecto III, o aumento aprovado é de até R$ 602,5 milhões, também por meio da emissão de novas ações a R$ 1 cada. A V.tal explicou que, nesse caso, a operação será integralmente subscrita e integralizada pela Tecto II, sendo R$ 102,5 milhões por meio de conferência de bens e R$ 500 milhões em dinheiro, sendo que parte desse valor provém de caixa já existente. O prazo previsto para a conclusão também é de 24 meses.
Os aportes ocorrem em meio ao plano de expansão da Tecto, criada em outubro de 2024 com previsão de investimentos de US$ 1 bilhão (R$ 5,1 bilhões) em novos empreendimentos. A unidade opera atualmente seis data centers — três em Fortaleza (CE), um no Rio de Janeiro e dois em Barranquilla, na Colômbia —, entre eles, o Mega Lobster, data center de 20 MW na capital cearense, cuja expansão recebeu financiamento de R$ 233,4 milhões junto ao BNDES.
Entre os projetos anunciados estão um campus de hiperescala de 200 MW em Santana de Parnaíba (SP) e o TPOA1, em Porto Alegre (RS), com investimento estimado em R$ 200 milhões e conexão direta ao cabo Malbec. O plano também prevê novas unidades no Rio de Janeiro, em Brasília e em Recife.
Comentários