Rui Gomes, CEO da Um Telecom e fundador da Atlantic Data Centers, declarou que está em fase de articulação de uma parceria público-privada para viabilizar a instalação de cabos submarinos com destino ao estado de Pernambuco. A iniciativa integra uma estratégia voltada à consolidação de Recife como um novo hub de dados no Brasil, informa o Tele.Síntese.
O plano contempla dois projetos: um cabo regional com a proposta de interligar as capitais do Nordeste e um ramal internacional conectado a cabos que já chegam à costa do Ceará. Segundo Gomes, o projeto visa a instalação de dois cabos: um festoon, conectando todas as capitais do Nordeste, e um cabo internacional.
O executivo informou que a proposta já foi apresentada a representantes do Ministério das Comunicações, da Anatel, do governo de Pernambuco e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ele destacou a importância de viabilizar o modelo por meio de um consórcio multissetorial, envolvendo governo, empresas privadas, empresas públicas e instituições de fomento.
Rui Gomes também abordou os possíveis efeitos da Medida Provisória do ReData, atualmente em análise no Congresso Nacional, sobre iniciativas de menor porte no setor. Segundo ele, há expectativa de que os edge data centers sejam contemplados pelas medidas. Como exemplo, mencionou que a estrutura da empresa já conta com circuito fechado de refrigeração, o que pode atender aos requisitos ambientais previstos.
O CEO da Um Telecom acrescentou que há intenção de adaptar o data center em construção em Recife às exigências do novo regime, embora ainda aguarde a publicação de regulamentações complementares. Ele observou que permanece indefinido se o pedido de isenção será responsabilidade do cliente ou do operador de colocation, e informou que serão contratadas consultorias especializadas para orientar o processo de conformidade.
O executivo manifestou preocupação em relação à recente decisão da Anatel de incluir data centers no escopo do Regulamento de Avaliação da Conformidade e Homologação de Produtos. Segundo ele, a medida foi tomada de forma repentina, sem consulta prévia ao setor, sem coleta de subsídios nem formação de grupo de trabalho.
Ele também questionou a capacidade técnica da agência para regulamentar esse segmento, destacando que data centers envolvem infraestrutura de energia e espaço físico, e que o setor já conta com certificadoras especializadas, como o Uptime Institute. Para o executivo, ainda não está claro qual tipo de regulação se pretende aplicar.
O tema está sendo discutido internamente na TelComp, associação da qual é conselheiro, mas ainda não há definição sobre eventuais medidas. Os operadores de data centers associados estão sendo ouvidos para decidir os próximos passos.
De acordo com o executivo da Um Telecom, o projeto da Atlantic Data Center contou com financiamento integral do BNDES, com taxa de juros de 2,75% ao ano, correção pela TR, três anos de carência e prazo total de sete anos. A parceria foi excelente, disse Gomes.
Em relação ao projeto do cabo submarino internacional, ele explicou que deve adotar um modelo diferente, comparável ao de rodovias: o governo realiza a construção e concede a operação, como ocorre em sistemas de pedágio. Segundo ele, cabos submarinos são considerados infraestrutura crítica e demandam investimentos de longo prazo.
Como referência, mencionou os projetos em andamento nos estados do Pará e do Maranhão, que contam com apoio financeiro do BID. A intenção é aplicar esse modelo também em Pernambuco.
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