A Telefônica pode investir em data centers e serviços de segurança cibernética para aliviar as chances dos reguladores europeus de aprovar fusões no setor de telecomunicações.
A empresa não escondeu seu desejo de se consolidar no mercado europeu.
Marc Murtra, presidente da empresa, fez o mesmo em abril, quando a empresa de telecomunicações iniciou sua revisão estratégica.
Ele é um dos muitos CEOs de empresas de telecomunicações europeias que pressionam a União Europeia a ser mais aberta à consolidação do setor, por exemplo, reduzindo o número de operadoras de quatro para três.
A consolidação já ocorreu no Reino Unido, após a fusão da Vodafone com a Three por 15 bilhões de libras (112,9 bilhões de reais), reduzindo o número total de operadoras de rede móvel para três.
O Financial Times relatou que a Telefônica espera convencer os reguladores de que, se investir em infraestrutura digital crucial, é mais provável impulsionar a consolidação.
A operadora possui atualmente 15 data centers e está considerando investir em mais, de acordo com o Financial Times. Um resumo desses investimentos pode ser divulgado ainda este ano, quando a empresa deve concluir sua revisão estratégica.
Nesse caso, representaria uma mudança de atitude por parte da empresa de telecomunicações, que, junto com a Asterion, explorou a venda da Nabiax, sua empresa latino-americana de data centers. Em novembro, a Aermont, uma empresa europeia de gestão de ativos ligada à Keppel, anunciou a aquisição da operadora espanhola de data center Nabiax.
Além do investimento planejado em data centers, a empresa espanhola de telecomunicações também está considerando reforçar os investimentos em serviços de segurança cibernética, em grande parte devido à hostilidade do governo Trump em relação à Europa.
O FT observou que a Telefônica está disposta a investir em serviços de segurança cibernética para oferecer às empresas europeias uma alternativa local aos fornecedores dos EUA e de Israel.
A Telefônica opera em seu mercado doméstico, a Espanha, e possui uma parcela considerável do mercado de telecomunicações no Reino Unido com a Virgin Media O2 e na Alemanha com a O2 Deutschland.
A operadora impulsionou a redução de suas operações na América Latina. No mês passado, a Telefônica fechou um acordo de 440 milhões de dólares (2,4 bilhões de reais) para vender sua unidade uruguaia para a Millicom.
Um mês antes, a Telefônica vendeu sua unidade peruana por menos de 1 milhão de dólares (5,5 milhões de reais) para a Integra TecInternational Inc (Integra Tec), o que foi um grande golpe nos 2 bilhões de dólares (10,1 bilhões de reais) que a empresa gastou para adquirir a empresa em 1994. No mês passado, o site espanhol El Confidencial informou que a Telefônica havia contratado o Citi como consultor para vender sua unidade de negócios chilena.
Em fevereiro, a Telefônica chegou a um acordo para vender sua unidade argentina para a Telecom Argentina por 1,2 bilhão de dólares (6,6 bilhões de reais), ao mesmo tempo em que intensificou os planos de vender sua unidade mexicana.
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