O CEO da Telefônica, Marc Murtra, reiterou mais uma vez seu apelo à consolidação do setor de telecomunicações na Europa.

Murtra, que substituiu o veterano CEO Jose Maria Alvarez-Pallete no início do ano, fez os comentários durante a assembleia geral anual da empresa na semana passada.

Na Assembleia Geral, os acionistas da Telefônica também ratificaram a nomeação de Murtra.

Murtra não perdeu tempo em mais uma vez pedir a consolidação, como fez no início do Mobile World Congress do ano.

"Nossa visão é que o alto nível de fragmentação do setor de telecomunicações na Europa, único no mundo, e a regulamentação excessiva, também única em sua intensidade, eliminaram a possibilidade de que as empresas de telecomunicações europeias pudessem ter sido gigantes da tecnologia capazes de competir com suas contrapartes americanas e chinesas, garantindo a soberania e a produtividade da Europa”, disse Murtra.

Para competir com os EUA e a China, Murtra diz que a consolidação é necessária.

Ele também destacou que a consolidação abrirá caminho para que as empresas de telecomunicações europeias invistam, inovem e atraiam talentos.

Segundo Murtra, essa consolidação "deve começar dentro dos países; caso contrário, não fará sentido econômico". Isso gerará maiores lucros, permitirá uma melhor implantação de redes avançadas e "criará capacidade tecnológica suficiente para fortalecer nossa autonomia estratégica, aumentar nossa produtividade e melhorar a vida de nossos cidadãos", disse o executivo.

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– Telefónica

"Europa, Europa e Europa"

Murtra também forneceu um esboço de como será a estratégia da empresa e observou que apresentará uma revisão estratégica antes do final do ano.

"Nossa revisão será ambiciosa, será realizada com análise e com rigoroso profissionalismo", disse ele, explicando que a operadora trabalhará sob cinco princípios.

Os cinco princípios são mudanças na Europa, garantindo que os clientes estejam no centro de tudo, a tecnologia e a excelência operacional como pilares do negócio da Telefônica, a empresa atuando com uma lógica industrial disciplinada e a criação de valor para clientes, funcionários e acionistas.

Nesse sentido, Murtra diz que a Telefônica está trabalhando em três prioridades, a primeira focada no esforço e conhecimento da empresa.

"Nossa prioridade será a Europa, Europa e Europa; manteremos nossa posição de liderança no Brasil como principal mercado e focaremos no que sabemos fazer como operador industrial", disse o presidente da empresa.

Consideramos as consolidações intramercado economicamente lucrativas. Não haverá consolidação europeia, nem consolidaremos sem uma consolidação intra-mercado prévia e sem racionalidade econômica.

A Telefônica opera em seu mercado doméstico, a Espanha, e possui uma parcela considerável do mercado de telecomunicações no Reino Unido com a Virgin Media O2 e na Alemanha com a O2 Deutschland.

A empresa tem procurado ativamente reduzir sua presença na América Latina desde 2019 e esta semana vendeu sua unidade peruana por menos de 1 milhão de dólares (5,8 milhões de reais) por meio de sua subsidiária latino-americana.

Essa estratégia se intensificou nos últimos meses e, no mês passado, a empresa chegou a um acordo para vender sua unidade colombiana para a Millicom International Cellular por 400 milhões de dólares (2,3 bilhões de reais).

A Millicom adquiriu anteriormente as unidades móveis da Telefônica no Panamá, Costa Rica e Nicarágua em 2019 por um total de 1,6 bilhão de dólares (9,4 bilhões de reais).

Em fevereiro, a Telefônica chegou a um acordo para vender sua unidade argentina para a Telecom Argentina por 1,245 bilhão de dólares (7,3 bilhões de reais) e intensificou os planos de vender sua unidade mexicana.

Outras prioridades incluem manter a disciplina financeira simplificando a empresa e operando sob parâmetros de excelência tecnológica e operacional.

Durante a Assembleia Geral de Acionistas, os acionistas também ratificaram a nomeação de Emilio Gayo como diretor executivo, Carlos Ocaña e Olayan M. Alwetaid como diretores proprietários e Ana María Sala como conselheira independente.