Sumaré, no interior do Estado de São Paulo, passa a integrar o cenário nacional de tecnologia com a implantação de grandes projetos de data centers, impulsionados pelo novo Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (ReData). A iniciativa, estabelecida pelo governo federal, prevê incentivos fiscais que podem atrair até 2 trilhões de reais em investimentos ao longo da próxima década, além de ampliar significativamente a capacidade de processamento de dados no país, informa o Portal da Cidade.

Atualmente, o Brasil conta com cerca de 800 megawatts de capacidade instalada em data centers, com projeções que indicam um crescimento para até três gigawatts. Esse avanço posicionaria o país à frente da América Latina, cuja capacidade atual é de 1,5 gigawatt. Nesse contexto, Sumaré, ao lado de Hortolândia e Paulínia, passa a compor um eixo estratégico voltado à Indústria 4.0, contribuindo para o fortalecimento da região como um centro de tecnologia e inovação em escala global.

Em Sumaré, o grupo Aurea Finvest anunciou um investimento de 5 bilhões de reais para a implantação de um complexo industrial e tecnológico. Além disso, a Microsoft está em processo de construção de um data center na cidade. Esses empreendimentos têm potencial para gerar empregos diretos e indiretos, fortalecer a rede de fornecedores locais e promover a capacitação de profissionais especializados.

Segundo especialistas, a região de Campinas, que inclui Sumaré, apresenta características favoráveis para o desenvolvimento de projetos tecnológicos, como infraestrutura energética competitiva, disponibilidade de áreas para construção e acesso à conexão internacional por meio de cabos submarinos. Esses fatores contribuem para atrair empresas atuantes em inteligência artificial, computação em nuvem e automação industrial.

O Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (ReData) estabelece isenção de tributos federais, como PIS/Pasep, Cofins, IPI e tarifas de importação, reduzindo a carga tributária efetiva de aproximadamente 52% para cerca de 18%. Em contrapartida, as empresas contempladas devem aplicar 2% do valor dos equipamentos em atividades de pesquisa e desenvolvimento no Brasil, reservar 10% da capacidade de processamento para universidades e empresas nacionais, além de adotar medidas sustentáveis, como o uso de energia renovável e sistemas hídricos fechados.

A medida contribui não apenas para o avanço econômico, mas também para o fortalecimento da soberania digital, ao diminuir a dependência de infraestrutura internacional — atualmente responsável por 60% do processamento de dados brasileiros — e ao ampliar o potencial do país como centro tecnológico e de inovação em escala global.