A Solo Network, integradora de tecnologia e provedora de serviços gerenciados, anunciou a aquisição de participação majoritária na Planeje, empresa especializada em engenharia, infraestrutura e construção de data centers. Com a operação, o grupo cria uma vertical de infraestrutura crítica para executar projetos completos de data centers de pequeno e médio porte em todo o país.
A aquisição ocorre em um período de crescimento da Solo Network, que encerrou 2025 com faturamento de aproximadamente 800 milhões de reais, impulsionado pela expansão dos serviços em nuvem e pela Solo Iron, sua vertical de cibersegurança. O desempenho levou a empresa à 223ª posição do ranking The Americas’ Fastest-Growing Companies 2025, elaborado pelo Financial Times em parceria com a Statista, que reúne 300 empresas das Américas, 25 delas brasileiras.
A Planeje manterá a marca e a estrutura operacional, e o sócio Eduardo Silveira permanecerá na empresa como executivo responsável pelas áreas Comercial e de Operações. A companhia tem 32 profissionais, estima suas oportunidades comerciais em 200 milhões de reais e prevê faturamento de cerca de 30 milhões de reais.
Na primeira etapa, a Solo Network pretende destinar cerca de 10 milhões de reais ao capital de giro e à expansão comercial da Planeje. A partir de 2027, o grupo poderá disponibilizar até 50 milhões de reais ao longo de três anos para a execução de novos projetos, à medida que a demanda crescer e os clientes contratarem os empreendimentos. A meta inicial é, no mínimo, dobrar o faturamento da Planeje em 2027.
Segundo João Paulo Costa Pereira, CEO da Solo Network, há uma mudança em curso na demanda por capacidade computacional. O executivo afirmou que a inteligência artificial, a nuvem, a digitalização das empresas e o aumento do volume de dados exigem cada vez mais infraestrutura física, o que levou o grupo a decidir participar diretamente dessa cadeia e incorporar a engenharia e a construção de data centers.
O escopo da Planeje vai da engenharia à entrega da infraestrutura e inclui obras civis, elétricas, climatização, sistemas de energia, segurança física, cabeamento, infraestrutura de TI e gerenciamento da implantação.
O foco comercial está nos data centers de pequeno e médio porte, destinados a organizações que precisam de ambientes próprios de processamento, armazenamento e contingência. Pereira avaliou que existe um mercado relevante além dos grandes provedores de nuvem, formado por empresas, governos e indústrias que precisam construir ou modernizar a própria infraestrutura de tecnologia, muitas vezes em projetos de menor escala, mas críticos para a operação. De acordo com o CEO, é nesse segmento que a companhia pretende consolidar sua presença.
A operação também aproxima a Planeje da Envolve Ambientes Seguros, outra empresa do grupo, que fabrica no país painéis, portas, salas seguras e data centers modulares e em contêineres. A fábrica da Envolve tem capacidade para atender até 25 data centers por ano, conforme a configuração e o porte de cada projeto. As duas empresas já haviam atuado juntas na modernização do data center modular do Exército Brasileiro em São Paulo.
Com a aquisição, as companhias passam a formar uma cadeia complementar: a Planeje responde pela engenharia, construção e integração dos projetos, enquanto a Envolve pode fornecer os componentes e as estruturas que fabrica.
Pereira classificou essa combinação como um dos pontos mais importantes da estratégia. Segundo ele, o grupo passa a reunir capacidade de engenharia, fabricação de componentes críticos e capital para a execução, o que permite controlar uma parcela maior da cadeia e melhorar os prazos, a qualidade e a previsibilidade financeira dos projetos.
Os recursos da primeira etapa devem fortalecer a operação comercial e financeira da Planeje em um mercado em que os projetos exigem capital de giro durante a execução. A expectativa do grupo é que a empresa passe a assumir projetos de maior porte.
Eduardo Silveira afirmou que a Planeje já conta com conhecimento técnico, equipe especializada, relacionamento com o mercado e uma carteira de oportunidades. Segundo o executivo, a entrada da Solo Network traz o capital necessário para que a empresa assuma mais projetos simultaneamente e amplie sua capacidade de execução.
Para Costa Pereira, a estratégia combina um mercado em crescimento, oportunidades em negociação, capacidade industrial e capital disponível. A intenção, segundo ele, é transformar essa estrutura em uma das principais operações do país no segmento de data centers de pequeno e médio porte.
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