Na noite de terça-feira, 12 de maio, a Schneider Electric realizou o AI Ready Data Center Brasil 2026 em São Paulo. Estiveram presentes clientes, parceiros e executivos da multinacional para ouvir mais sobre inteligência artificial e data centers. A DCD cobriu o evento com exclusividade.

O AI Ready começou com a fala de Luis Cuevas, diretor de Secure Power & Data Center para a América do Sul da Schneider Electric. O executivo comparou o atual ciclo de investimentos em infraestrutura de IA ao desenvolvimento das ferrovias no século XIX, destacando que os retornos podem levar décadas. Para ele, estamos entrando na quinta revolução da humanidade, impulsionada por uma cadeia tecnológica que vai da geração de energia aos chips e ao resfriamento, cuja eficiência ainda precisa ser muito aprimorada.

A demanda global de eletricidade deve crescer mais de 20% até 2030, principalmente pela demanda do uso de IA. Cuevas alerta que há perdas significativas em toda a cadeia energética, da transmissão e distribuição às UPS e à refrigeração, até a eficiência das GPUs, o que faz com que apenas uma parte da energia gerada chegue efetivamente aos chips. O setor vive uma transição: data centers tradicionais (5–50 kW por rack, resfriamento a ar) estão sendo substituídos por AI Factories, com densidades acima de 50 kW e necessidade de resfriamento líquido. A Schneider, em parceria com a Nvidia, desenvolve designs validados por meio de gêmeos digitais e de simulações de CFD.

Cuevas destaca três pilares para uma transição sustentável: eletrificação, energia renovável e arquiteturas híbridas em corrente contínua (DC). O executivo finalizou sua participação afirmando que países emergentes, como o Brasil, têm oportunidade de liderança graças à matriz energética limpa e ao crescimento do ecossistema tecnológico.

Após Luis Cuevas, o próximo no palco foi Marcel Saraiva, GSI Client Director LATAM da NVIDIA. Saraiva falou sobre a transformação de data centers em fábricas de inteligência artificial, nas quais a energia é convertida em riqueza por meio da emissão de tokens. Saraiva enfatizou que a eficiência energética e o projeto de infraestrutura são críticos e apresentou a arquitetura NVIDIA GBX como modelo de referência para otimizar essas operações. Por meio da plataforma Omniverse, as empresas podem criar gêmeos digitais para simular o comportamento térmico e de rede, permitindo um planejamento preciso anos antes da construção física. A estratégia foca na redução do time-to-market, garantindo que o hardware de última geração, como as GPUs Blackwell e Rubin, seja instalado em ambientes perfeitamente compatíveis. Por fim, o executivo destacou que o sucesso nessa nova era exige a integração de um vasto ecossistema de parceiros para acompanhar o ciclo acelerado de inovação tecnológica.

Em sua apresentação, Daniel Rodrigues, Sales Business Development Executive Data Center, Cloud e IA da Intel, discutiu como a empresa está mudando sua abordagem em relação à inteligência artificial, com foco menor em treinamento maciço e maior em inferência e agentes. Rodrigues diz que, embora as GPUs dominem os grandes modelos, as CPUs Xeon de nova geração são alternativas eficientes e econômicas para processar modelos de até 20 bilhões de parâmetros. A estratégia destaca a importância de otimizar os custos por token e reduzir o consumo de energia por meio da consolidação de servidores antigos em hardware moderno com aceleradores integrados. O executivo enfatiza que a IA deve ser democratizada, permitindo que as empresas executem aplicações sofisticadas diretamente em suas infraestruturas de data center existentes. Assim, a Intel busca atender às demandas específicas do mercado em que a orquestração e a eficiência operacional são prioridades em relação ao poder computacional bruto.

Leonardo Delatim, Engenheiro Sênior de Sistemas na Dell Technologies, discutiu a crescente densidade energética imposta pela inteligência artificial nos data centers, prevendo racks capazes de atingir 1 MW de consumo até 2030. Ele destaca que a infraestrutura tradicional baseada em refrigeração a ar é insuficiente para essas novas demandas, o que torna a transição para o resfriamento líquido uma necessidade técnica inevitável. O autor defende uma colaboração mais estreita entre as equipes de TI e de infraestrutura, utilizando designs validados pela parceria entre Dell e Schneider Electric para garantir a eficiência. Essa modernização visa otimizar o custo total de propriedade (TCO) e reduzir drasticamente o indicador de eficiência energética (PUE) dos sistemas. Delatim concluiu afirmando que a preparação para o futuro exige soluções hidráulicas avançadas e uma mudança profunda na operação e na manutenção de data centers modernos.

Próximo a falar no AI Ready, Alexandre Kontoyanis, da MC Consult, abordou a complexidade técnica e os desafios operacionais do resfriamento líquido direto (D2C) em data centers de alta performance voltados à inteligência artificial. Kontoyanis destacou que, diferentemente dos sistemas tradicionais, a infraestrutura moderna utiliza microcanais extremamente delicados, o que exige rigor absoluto no tratamento dos fluidos e na manutenção da Unidade de Distribuição de Resfriamento (CDU). O especialista analisou os prós e contras do uso de água deionizada e de propilenoglicol, alertando para riscos catastróficos, como a corrosão e a proliferação bacteriana, que podem comprometer equipamentos valiosos. Alexandre Kontoyanis enfatizou que a ausência de normas técnicas consolidadas exige parcerias com especialistas e mão de obra altamente qualificada para garantir a resiliência do sistema. Por fim, reforçou que o sucesso da operação depende de um design preciso e de processos de limpeza rigorosos, pois pequenas ineficiências, em larga escala, resultam em prejuízos financeiros significativos.