A Fibracem lançará em 2026 uma porta para rack supercolmeia e placas de piso para data center, com vazão de ar superior a 80% da área, voltadas a ambientes de alta densidade computacional, informa Eryck El-Jaick, COO da empresa.

A expansão dos data centers no Brasil, impulsionada pela inteligência artificial e pela computação em nuvem, tem colocado a eficiência energética como prioridade estratégica do setor, e não mais como uma preocupação posterior à instalação. Segundo El-Jaick, o aumento da densidade computacional exige soluções mais eficientes de refrigeração e de gerenciamento do fluxo de ar para reduzir o consumo de energia.

Entre as tecnologias em expansão estão os sistemas de liquid cooling, oferecidos ao mercado por meio de uma parceria entre a Fibracem e a norte-americana Vertiv, voltados à dissipação de calor em componentes de alto desempenho.

As novas placas de piso, segundo a empresa, reduzem a resistência à passagem do ar refrigerado, melhorando sua distribuição até os racks e contribuindo para maior eficiência do sistema de climatização. De acordo com El-Jaick, essas portas e placas de alta vazão podem reduzir o consumo total de energia de um data center em até 10% — com ganhos de até 20% no sistema central de refrigeração e de até 50% no consumo dos ventiladores, a depender da configuração da instalação e das condições operacionais.

Quanto à distribuição geográfica dos investimentos, o executivo aponta o Sudeste como a região com maior potencial para novas instalações, dada a proximidade dos grandes centros consumidores e a disponibilidade de energia. O Nordeste, no entanto, vem ganhando espaço em projetos de grande escala — como o mega data center associado ao TikTok, em construção no Ceará. Fortaleza se consolidou como um dos principais hubs de conectividade internacional do país, favorecida pela concentração de cabos submarinos e pela disponibilidade de energia eólica e solar. Para El-Jaick, a combinação entre energia limpa, expansão da geração, conectividade internacional e demanda crescente por processamento permite que diferentes regiões do Brasil participem do desenvolvimento do setor.

Sobre os desafios do mercado, El-Jaick afirma que a expansão da infraestrutura esbarra na disponibilidade de espaço, energia e licenciamento ambiental, fatores que se tornam ainda mais críticos diante do ritmo de crescimento da demanda por aplicações de inteligência artificial. Segundo ele, a viabilização de novos projetos depende principalmente da obtenção de licenças ambientais, da disponibilidade de energia e da infraestrutura de conectividade — elementos que também definem as regiões com maior potencial para receber novos data centers.