A Sabesp está ampliando os contratos de fornecimento de água de reúso — obtida a partir do tratamento de esgoto — como estratégia para reduzir o risco de crise hídrica no estado de São Paulo e preservar mananciais, de acordo com a CNN Brasil. A iniciativa integra a agenda da companhia voltada à economia circular e à segurança hídrica.

Entre os novos acordos, a empresa firmou contrato com um data center em Barueri, na Grande São Paulo, para o fornecimento de 11 mil m³ mensais destinados ao sistema de resfriamento das operações. O volume equivale ao consumo mensal de aproximadamente 3 mil pessoas ou a quase cinco piscinas olímpicas.

Segundo a Sabesp, o abastecimento será inicialmente feito por caminhões-pipa, com previsão de implantação futura de uma rede direta a partir da Estação de Tratamento de Esgoto de Barueri, a maior da América Latina. A companhia estima o potencial de produção em 84,5 milhões de litros diários, considerando também outras ETEs, como as de São Miguel, Parque Novo Mundo e as unidades no ABC.

O diretor de Clientes e Tecnologia da Sabesp, Denis Mais, afirma que o reúso de água é um dos pilares da estratégia da companhia para os próximos anos, permitindo transformar a capacidade produtiva em soluções para setores como a infraestrutura digital e a cadeia de minerais críticos. Segundo ele, cada metro cúbico de água de reúso entregue equivale ao mesmo volume de água potável preservado para o abastecimento público.

Dados do Lawrence Berkeley National Laboratory indicam que os data centers dos Estados Unidos — responsáveis por cerca de 40% da capacidade global — consumiram aproximadamente 66 bilhões de litros de água em 2023 apenas para resfriamento direto, com projeções de que esse volume possa dobrar ou até quadruplicar até 2028. Estudo publicado na revista Patterns estima que data centers voltados à inteligência artificial consumiram entre 312 e 765 bilhões de litros no ano passado, volume comparável ao do mercado global de água engarrafada.

Diante desse cenário, o uso de água de reúso em sistemas de resfriamento vem ganhando espaço como alternativa para reduzir a pegada hídrica do setor, ao substituir água potável por água tratada proveniente de estações de esgoto em processos industriais que não exigem padrão de consumo humano. A prática também se alinha às metas de sustentabilidade das principais empresas de tecnologia.