A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) selecionou a Nokia e a integradora Q13 para modernizar a rede Ipê, considerada a maior rede acadêmica da América Latina. O anúncio foi feito pela Nokia nesta terça-feira (6). A nova rede de transporte deverá atender a mais de quatro milhões de usuários, com foco em segurança, automação e desempenho para suportar pesquisas baseadas em inteligência artificial (IA).

Segundo as empresas, a nova arquitetura busca atender à demanda crescente por conectividade em data centers, colaboração científica em larga escala, redes privadas sem fio e aplicações de IA. A expectativa é que a modernização agilize a troca de dados entre universidades, centros de pesquisa e hubs de inovação, com impacto em áreas como saúde, ciências climáticas, biodiversidade e engenharia.

A RNP mantém conexão com mais de 125 redes acadêmicas em mais de 100 países, além de circuitos de dados diretos para as Américas, a Europa e a África.

O projeto contempla a entrega de 4,8 Tb/s de capacidade agregada e de mais de 350 roteadores. A Nokia fornecerá equipamentos para as camadas de core, agregação, peering e borda, com as plataformas 7750 Service Router e 7250 Interconnect Router. A implementação e a migração ficarão a cargo da Q13.

De acordo com Ari Frazão, diretor-adjunto de Engenharia e Operações da RNP, a rede Ipê é uma infraestrutura crucial para as comunidades de ensino e pesquisa no Brasil, e o aumento da demanda por IA e por pesquisas avançadas exige uma rede capaz de acompanhar esse ritmo. O executivo afirmou que a modernização deve ampliar o acesso ao conhecimento e oferecer uma base digital mais sólida para o país. Frazão destacou ainda que, pela primeira vez, a RNP terá equipamentos de core, agregação, peering e borda de um mesmo fabricante, o que, segundo ele, permitirá à organização investir fortemente em automação.

Cássia Rinaldi, diretora de estratégia para Redes de Pesquisa e Educação da Nokia na América Latina, avaliou que a IA está mudando a forma como a pesquisa é conduzida e como as comunidades científicas colaboram, o que impõe novas exigências às redes que as conectam. Para ela, a capacidade de atender às aplicações atuais e de evoluir para 800G permitirá que a rede Ipê converta avanços em IA e em conectividade em novas possibilidades para a ciência e a inovação.

Já Elinton Lazzuri, sócio e diretor-executivo da Q13, ressaltou que modernizar uma rede de transporte de alcance nacional exige planejamento cuidadoso e execução rigorosa. Segundo ele, a empresa trabalhará em conjunto com a RNP e a Nokia para garantir uma transição sem interrupções para uma rede mais resiliente.