Em maio de 2024, o estado do Rio Grande do Sul foi impactado por um evento climático de grandes proporções. Chuvas intensas atingiram quase todo o território, afetando diretamente 470 dos 497 municípios e provocando o deslocamento de milhares de pessoas. A Microsoft, responsável pela migração dos dados do Estado à sua nuvem, detalhou como o trabalho conjunto com o governo do Rio Grande do Sul foi realizado.

Além dos prejuízos humanos e materiais, a enchente causou uma interrupção significativa na infraestrutura digital do governo estadual. O data center da Procergs, responsável por operar sistemas essenciais como arrecadação, saúde, transporte e folha de pagamento, precisou ser desligado como medida preventiva para evitar danos irreversíveis.

Em questão de horas, diversos serviços essenciais para o funcionamento cotidiano de milhões de pessoas foram interrompidos — desde hospitais sem acesso a prontuários até prefeituras impossibilitadas de registrar despesas básicas.

Segundo Bruno Silva da Silveira, Secretário Adjunto de Planejamento, Governança e Gestão do Rio Grande do Sul, em poucos dias, toda a estrutura digital do Estado esteve sob ameaça. A situação envolvia não apenas tecnologia, mas também o bem-estar de milhões de cidadãos.

Sem acesso aos sistemas, o governo estadual enfrentou o risco de colapso administrativo justamente em um momento crítico, quando a população demandava respostas ágeis e eficazes.

A suspensão do funcionamento do data center foi adotada como medida extrema para proteger informações essenciais. Com essa interrupção, sistemas relacionados à arrecadação, à mobilidade, à saúde e à gestão financeira ficaram fora de operação. A folha de pagamento dos servidores chegou a ser processada com base nos dados disponíveis do mês anterior.

Os efeitos foram imediatos: hospitais ficaram sem acesso a prontuários digitais, produtores rurais não conseguiram emitir guias de transporte animal, e prefeituras enfrentaram dificuldades para registrar despesas básicas. Servidores públicos passaram a trabalhar com lanternas e celulares, profissionais da saúde recorreram a registros em papel, e gestores municipais utilizaram seus próprios telefones para manter algum nível de controle administrativo.

Devido à indisponibilidade dos servidores locais, a solução adotada foi a migração em ritmo acelerado para a nuvem da Microsoft. Em poucos dias, dezenas de máquinas virtuais de alta capacidade foram configuradas no Azure, restabelecendo a base necessária ao funcionamento de sistemas considerados críticos.

A reconstrução da infraestrutura foi apenas o início. Para garantir que os dados pudessem ser convertidos em decisões ágeis, foi fundamental a atuação conjunta entre Microsoft, Esri e Codex, que colaboraram para ampliar a capacidade de resposta digital do Estado.

A migração e a recuperação rápida dos sistemas só foram possíveis devido à coordenação eficaz entre as equipes de resposta emergencial da Microsoft e da Esri, que atuaram prontamente para transferir o software ArcGIS do ambiente local para a nuvem.

Tomás Pinheiro Fiori, Diretor do Departamento de Economia e Estatística da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão do Estado do Rio Grande do Sul, destacou o papel estratégico da infraestrutura em nuvem durante a crise. Segundo ele, o uso de máquinas virtuais no Azure foi decisivo para garantir a continuidade dos serviços públicos em um cenário de alta complexidade. De acordo com Fiori, as máquinas virtuais no Azure representaram uma saída viável diante da interrupção dos sistemas locais. Sem essa capacidade de processamento, o Estado não teria conseguido oferecer respostas com a agilidade que a situação exigia.

Com o apoio das soluções da Esri operando na plataforma Azure, as equipes responsáveis pela resposta emergencial tiveram acesso a informações mais precisas e puderam tomar decisões com maior agilidade nos momentos críticos.

Em um intervalo de 30 dias, a equipe da Codex desenvolveu 17 aplicações específicas, incluindo uma ferramenta de previsão de enchentes que consolidou dados relevantes em painéis operacionais, oferecendo suporte direto às equipes em campo.

Esse trabalho integrado contou com a liderança da Codex na implementação, o fornecimento de tecnologias avançadas de geoprocessamento por parte da Esri e da Imagem, e a disponibilização de uma infraestrutura de nuvem segura e escalável pela Microsoft. A atuação conjunta dessas organizações demonstrou como a colaboração técnica pode contribuir para uma resposta mais eficiente a situações de emergência e para o fortalecimento da capacidade de recuperação institucional.

Com o apoio da Microsoft, mais de 3.000 dashboards desenvolvidos em Power BI permaneceram acessíveis na nuvem durante o período de crise. O ambiente de análise de dados também possibilitou a consolidação de informações disponíveis e o desenvolvimento de novas ferramentas, ampliando a visibilidade sobre abrigos, vias bloqueadas e áreas com risco elevado.

Segundo Daniel Antonio Karling, Diretor de Dados da Subsecretaria de Tecnologia da Informação do Estado do Rio Grande do Sul, “a alta disponibilidade do Azure permitiu manter os dados acessíveis e os dashboards operacionais, mesmo com a infraestrutura física comprometida”.

Esses painéis contribuíram para que órgãos públicos e equipes de resposta atuassem com maior agilidade e com base em evidências, facilitando a priorização de ações de resgate, a alocação de recursos e a comunicação com as comunidades em tempo real.

Como resultado, milhares de famílias receberam assistência no momento adequado e entidades locais conseguiram organizar os abrigos e a logística de doações de forma mais eficiente.

A continuidade das operações durante o período de crise foi viabilizada por meio da cooperação entre equipes técnicas do governo, empresas parceiras como Codex e Imagem/Esri, e especialistas da Microsoft. Enquanto voluntários atuavam presencialmente para manter o funcionamento básico dos serviços, a infraestrutura em nuvem ofereceu um ambiente seguro e escalável, permitindo a tomada de decisões em tempo real.

Luciana Dal Forno Gianluppi, Diretora do Departamento de Planejamento Governamental do Estado do Rio Grande do Sul, destacou: “Sem a estabilidade da plataforma da Microsoft e o suporte próximo da equipe, não seria possível manter a execução das políticas públicas diante de um cenário tão adverso”.

Essa atuação conjunta evidenciou a relevância de parcerias confiáveis em contextos de vulnerabilidade. A Microsoft contribuiu não apenas com tecnologia, mas também com orientação técnica contínua. A Codex desempenhou papel central na integração das soluções emergenciais, enquanto a Imagem/Esri forneceu recursos de inteligência geoespacial que auxiliaram o governo na visualização de cenários críticos em tempo real.

O desastre climático de 2024 acelerou uma transformação digital significativa no Rio Grande do Sul. A computação em nuvem deixou de ser uma iniciativa estratégica e passou a ser considerada um componente essencial da administração pública.

Segundo Bruno, a nuvem tornou-se uma necessidade operacional para garantir a capacidade de resposta diante de qualquer adversidade. A iniciativa gaúcha, que surgiu em meio à urgência, evoluiu para um modelo reconhecido internacionalmente em resiliência digital.

A migração de ferramentas como o ArcGIS para a nuvem permitiu restaurar serviços essenciais e estabelecer um padrão para planejamento de desastres, resposta emergencial e adaptação climática.