O macrossetor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) deve criar 33 mil empregos formais até dezembro de 2026, segundo o relatório “Perspectivas do Mercado de Trabalho do Macrossetor TIC”, da Brasscom. O estudo aponta que o setor adicionou 111,1 mil profissionais entre 2023 e 2025, mas a maior parte desse avanço ocorreu fora do regime CLT: 55,6% via MEIs e informalidade, enquanto 44,4% resultaram em contratações formais.

As projeções anteriores indicavam que 2025 poderia registrar entre 30 mil e 147 mil novas vagas CLT, mas o crescimento efetivo concentrou-se em vínculos não celetistas. No período, foram criados 23,7 mil empregos formais, frente a 88,5 mil novos MEIs e 13,3 mil trabalhadores informais.

O relatório destaca que a inteligência artificial não elimina postos de trabalho no curto prazo, mas transforma funções e exige novas competências. A demanda cresce por profissionais capazes de usar IA para otimizar processos e apoiar a tomada de decisões. Com o Brasil registrando, em dezembro de 2025, a menor taxa de desemprego da história (5,6%), o desafio passa a ser a atualização contínua das habilidades da força de trabalho.

A formação em tecnologia acompanha essa tendência. Entre 2022 e 2024, mais de 200,7 mil pessoas concluíram cursos superiores na área, o que representa um aumento de 59,1%. Só em 2024, foram 110.960 graduados, dos quais 40% optaram por Análise e Desenvolvimento de Sistemas. A educação técnica também avança: as matrículas em cursos de TIC cresceram 52% entre 2023 e 2025, enquanto a Formação Inicial e Continuada na rede federal somou 256.794 certificados entre 2020 e 2024, o que representa uma alta de 174,6%.

O setor de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) registra avanços importantes na inclusão, especialmente na formação profissional. Em 2024, o número de mulheres graduadas em cursos superiores da área aumentou 32,4%, elevando a participação feminina para 19,2%, 1,3 ponto percentual acima do ano anterior.

Na dimensão racial, o total de pessoas negras concluintes de cursos superiores de TIC cresceu em 26,7% no mesmo período. Os dados indicam um movimento consistente para ampliar a diversidade desde a base da formação, embora o setor ainda não reflita plenamente a composição demográfica do país.

Para Affonso Nina, presidente executivo da Brasscom, o crescimento do setor e a projeção de 33 mil novos empregos formais até 2026 esbarram em desafios estruturais. Ele afirma que o principal entrave não é a falta de profissionais, mas sim o ambiente regulatório e econômico, que dificulta a formalização. Segundo Nina, políticas públicas voltadas à contratação CLT e à requalificação são essenciais para transformar o avanço do setor em oportunidades mais estáveis.

As projeções apresentadas no relatório utilizam uma metodologia de machine learning aplicada a bases públicas, como as de RAIS, CAGED e IBGE. O estudo informa que as estimativas têm cobertura de 90% e nível de confiança de 5%, oferecendo um panorama robusto do mercado de trabalho em TIC.