O Paraguai avança na licitação de um novo data center modular Tier III no Chaco'i, que dará suporte à sua nuvem soberana e aos serviços digitais do Estado, em um projeto fundamental para reforçar a soberania tecnológica e a infraestrutura crítica do país.
Um data center estatal para a nuvem soberana
O Ministério das Tecnologias da Informação e Comunicação (MITIC) mantém aberta uma Licitação Pública Internacional para a “Aquisição e Implementação Chave na Mão de Centros de Dados Modulares – Certificação Tier III (Projeto e Construção)”, no âmbito do Programa de Apoio à Agenda Digital, financiado com um empréstimo do BID de 130 milhões de dólares (687,7 milhões de reais). O novo data center ficará localizado nas instalações institucionais do MITIC no Chaco'i e deverá estar totalmente operacional e certificado em dezembro de 2027, após pelo menos três meses de funcionamento prévio.
A infraestrutura será a base de uma nuvem soberana do Estado paraguaio, destinada a alojar serviços de infraestrutura, plataforma e software para organismos públicos, com capacidade para até 5.000 máquinas virtuais e 2.000 contêineres. O objetivo é consolidar em um ambiente controlado e de alta disponibilidade os sistemas que hoje estão distribuídos em várias instalações dispersas, melhorando a resiliência, a segurança e a eficiência na gestão de dados públicos.
Características técnicas e modelo modular
O edital exige um projeto modular com certificação Tier III do Uptime Institute em projeto e construção, com operação sustentável que aspire à certificação Gold. O campus terá uma área construída de cerca de 5.569 m² e 1.921 m² de área exterior, com espaço para 110 racks de TI e 58 racks de telecomunicações, e uma capacidade inicial estimada de 5 MW, expansível através de módulos sem interromper a operação.
Uma mudança relevante em relação aos processos anteriores é a estrutura de investimento: aproximadamente 70% do orçamento é destinado a equipamentos e soluções tecnológicas e 30% a obras civis, para priorizar um modelo modular mais ágil que reduza a dependência de grandes obras de construção e favoreça a participação de empresas tecnológicas. A solução incluirá todos os componentes necessários de energia, climatização, segurança física e lógica, monitorização e continuidade operacional para cumprir as normas internacionais.
Calendário da licitação e financiamento
A convocatória está disponível nos portais da Direção Nacional de Contratações Públicas (DNCP) e do BID, com um período de consultas que terminou em 29 de dezembro de 2025 e uma nova data de entrega e abertura das propostas marcada para 26 de janeiro de 2026. O projeto será financiado com recursos do empréstimo do BID destinado à Agenda Digital, que cobre tanto o data center quanto a nova infraestrutura de nuvem pública para o setor público.
A licitação contempla o projeto, construção, equipamento, colocação em funcionamento, operação inicial, manutenção e obtenção de certificações, sob um modelo chave na mão que busca minimizar os riscos de execução para o Estado. De acordo com o MITIC, trata-se de um dos projetos emblemáticos do programa, pensado para garantir a continuidade dos serviços digitais críticos e reforçar a confiança dos cidadãos nas plataformas do governo.
Paraguai como polo emergente de infraestrutura
O data center soberano se soma a um ecossistema de projetos de infraestrutura digital no Paraguai, onde também estão previstos grandes data centers privados impulsionados por atores como a X8 Cloud para inteligência artificial, aproveitando a disponibilidade de energia hidrelétrica competitiva de Itaipu. Nesse contexto, o Estado busca garantir uma base própria e controlada para suas cargas críticas, enquanto o setor privado explora investimentos em grande escala voltados para IA e serviços regionais em nuvem.
Com a licitação em andamento e um calendário que aponta para 2027 para a operação plena, o Paraguai se posiciona para dar um salto na modernização de sua infraestrutura digital pública, alinhando-se às tendências globais de nuvem soberana e data centers especializados para o governo.
*Texto traduzido e editado ao português por Bruno Faria
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